Aroeiras: a terra da pamonha, que abastece quase toda a PB

Aroeiras: a terra da pamonha, que abastece quase toda a PB

Com produção semanal de 20 mil unidades, iguaria também é comercializada em Recife e outras cidades de Pernambuco

Aroeiras, no Cariri paraibano, é conhecida na região como a cidade da pamonha, pois sua produção semanal de cerca de 20 mil unidades é responsável pelo abastecimentoem grande parte dos municípios paraibanos. Inclusive, o produto, que é feito à base de milho, é comercializado na capital pernambucana, Recife, e outras cidades do estado vizinho.

Localizada entre riachos e serras, suas paisagens chamam atenção de quem por lá passa, principalmente por suas características urbana e rural estarem entrelaçadas em todas as localidades do município.

Seu Roberto Marinho de Souza, 60 anos, é um exemplo de agricultor que viu na produção das pamonhas a oportunidade de ampliar sua renda. Antes, ele vivia da criação de gado, mas, há dois anos, abriu uma fábrica de pamonhas e gera emprego para mais oito famílias da cidade. “Nossa produção está sendo de mais de quatro mil, por semana. A gente vende quase tudo para a Região Metropolitana do Recife. Levar nosso produto para outro estado é um avanço para Aroeiras”, comenta o produtor rural.

A cidade também tem sua economia complementada com a fabricação de queijos artesanais e produtos derivados do leite, no comércio local e artesanatos feitos com madeiras, tecidos e palhas de milho. Essas atividades econômicas do setor primário, juntamente com a agricultura familiar, fomentada pela tradicional feira agroecológica, são responsáveis pela geração de renda dos aroeirenses.

História de Aroeiras

• A cidade começou a surgir no século 19, quando vários agricultores vinham vender suas produções de macaxeira (mandioca) para uma casa de farinha, do fazendeiro Antônio Gonçalves, e por lá ficavam para construir suas famílias. Nessa época, foi criada a ‘Feira de Catolé dos Sousas’, onde foi construída a primeira casa do povoado. Com o crescimento da feira foram surgindo outras residências e o povoado passou à categoria de distrito do município de Umbuzeiro, em 1911. Sua emancipação política só veio em 2 de dezembro de 1953. O nome de Aroeiras se deu quando o português, Laurentino Varehão, esteve pelo local, em 1815, e observou que nas matas existiam muitos pés de aroeiras. “Eram tantas árvores da planta que se fez nome de nossa terra”, explica o professor Dudé.

Celeiro de poetas e escritores ilustres

Por ficar entre os leitos do Rio Paraíba e Piabinha, além de barragem Acauã, que é o terceiro maior reservatório hídrico do Estado, e responsável pelo abastecimento de várias cidades da região, Aroeiras possui diversos atrativos naturais, como o Centro de Convivência Milton Mariano de Aguiar, uma ampla área de lazer para população local e das cidades vizinhas. Tem ainda o açude Epitácio Pessoa, conhecido como o açude da Serra, onde as pessoas desfrutam de banho em águas calmas.

Outro ponto de turismo rural de Aroeiras é o Serrote da Torre, que abriga inscrições rupestres de civilizações antigas e suas altas pedras permitem aos visitantes uma visão ampla do município, com um pôr do sol entre os montes da região. “Estamos sempre melhorando as estradas para permitir que o visitante possa conhecer e apreciar as belezas naturais de nosso Município, já que muitas delas ficam em áreas rurais, cercadas pelas pedras que criam paisagens de encher os olhos”, destaca o prefeito municipal César Marques.

Com pouco mais de 19 mil habitantes, Aroeiras é daquelas cidades onde todos se conhecem e fazem questão de organizarem as festividades locais, como a festa da padroeira Nossa Senhora do Rosário (que ocorre sempre no mês de outubro), os festejos juninos – quando acontece o Forró do Turista – e os campeonatos de futebol.

Uma das peculiaridades da cidade é a aproximação do urbano com o rural. Para o professor de História, Iordan Queiroz Gomes, 37 anos, natural de Aroeiras, essa característica oferta diversas aprendizagens ao viver humano. “Crescer nesse ambiente de pertencimento é enriquecedor, principalmente quando a gente sai da cidade para outros centros e se depara com uma impessoalidade e distância muito grande entre os indivíduos. Aqui, vivemos em um ambiente de sociabilidade intenso”. Entre os ilustres aroeirenses estão os escritores e poetas conhecidos nacionalmente Hildeberto Barbosa, Pedro Paulo de Andrade e Severino da Costa Barbosa (o ‘Dudé das Aroeiras’) que também é cantador e autor do hino oficial do município.

Cidade abrigou chefe do cangaço

Entre os fatos passados que os aroeirenses contam é que por muitas vezes a cidade foi abrigo de um dos cangaceiros mais famosos do país, Manoel Baptista de Morais, mais conhecido como Antônio Silvino. Sua passagem por Aroeiras fez com que o paraibano Epitácio Pessoa, na época ministro da Justiça, enviasse tropas federais ao município, em 1910, para capturar o mais famoso chefe do cangaço que antecedeu Lampião.

“Nessa época, Aroeiras ficou conhecida em toda a região, porque guardas da presidência vieram à cidade para prender Antônio Silvino, que era bem conhecido por suas façanhas que eram consideradas criminosas. Mas, o cangaceiro conseguiu se livrar da prisão”, conta o historiador Iordan Gomes.

Outra lembrança que orgulha os moradores da cidade é a passagem de Frei Damião por lá. O professor José Severino da Costa Barbosa, mais conhecido por Dudé das Aroeiras, relembra que a visita do famoso padre ainda permanece bem viva em suas memórias. “O que marcou muito por ser filho de Aroeiras foi quando eu era criança e Frei Damião passou por mim e com o seu cordão branco me mandou trocar de roupa e ir ao catequismo. Carrego dentro do peito um sentimento de muita gratidão por ter nascido aqui!”.