Golpe Verde – Falsas Soluções Para o Desastre Climático

Golpe Verde – Falsas Soluções Para o Desastre Climático

O filósofo, mestre em Direito e Especialista em Desenvolvimento Social no Campo, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais Lindomar Dias Padilha  (CIMI-Acre) abriu o painel Golpe Verde, do X Fórum Social Pan-Amazônico (Fospa), na sexta, dia 29 de julho. A fala refletiu sobre o processo de mercantilização e financeirização da natureza, do assédio e pressão que os povos da floresta vem sofrendo.

Lindomar trouxe exemplos da Amazônia para demonstrar os elementos de organização social, cultural, produtiva e autônoma dos povos originários. Também falou sobre direitos originários, ancestralidade, a importância do sagrado e do território. No entanto, refletiu que na ausência de política pública em defesa dos povos da floresta, é preocupante o assédio de projetos falsamente ambientais apresentados por Grandes Poluidores da mineração, petróleo e agronegócio que prometem mitigar a crise climática através de compra de carbono e de esquemas de geoengenharia de captura de gases poluentes.

Para Vandria Borari, membra do conselho consultivo da Corporate Accountability e ativista na Campanha Global contra os Grandes Poluidores e por Justiça Climática, essas falsas soluções precisam ser escancaradas: “Essas multinacionais estão destruindo nossas áreas sagradas, violando nossos direitos de ir e vir, poluindo nossos rios, contaminando nossos peixes e realmente precisam ser responsabilizadas pelos crimes que cometem. Essa história de crédito de carbono é uma forma de pagar para continuar cometendo crimes contra a humanidade”

O que acontece é que esses Grandes Poluidores estão avançando Amazônia adentro, em um modelo que os povos da floresta e a natureza são encarados como “assalariados prestadores de serviço”. Essa já é uma primeira distorção que precisa ser escancarada e desconstruída. É a floresta e seus povos que mantêm o clima e, assim sendo, eles que devem determinar as regras do jogo da proteção. Ora, no sistema capitalista quem define o preço do produto nunca foi o consumidor. Por que na Amazônia os grandes poluidores, que estão “comprando” os tais créditos de carbono, estariam eles mesmos precificando a floresta e determinando o quanto vale cada árvore em pé?

Outra segunda farsa que precisa ser desvendada amplamente e debatida com a sociedade é que nem os créditos de carbono negociados nas Bolsas de Valores, tampouco outras promessas de geoengenharia para captura de gases poluentes, tem feito com que esses Grandes Poluidores deixem de poluir ou diminuam o nível de sua poluição. Muito pelo contrário. Na verdade, esses projetos têm sido simplesmente usados para limpar a imagem dessas multinacionais. São uma mera estratégia de marketing que evita a solução real pela justiça climática e tem dado carta branca para esses grandes poluidores continuarem poluindo e implementando suas velhas práticas de alto impacto numa civilização rumo ao colapso.