Dieta rica em alimentos ultraprocessados está ligada a problemas de fertilidade masculina
Estudo holandês apontou que esse tipo de alimentação ainda pode prolongar as tentativas de gravidez dos casais em anos
Homens que consomem uma alimentação rica em ultraprocessados (UPFs) têm uma probabilidade significativamente maior de apresentar problemas de fertilidade, aponta novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Erasmus de Roterdã, na Holanda.
Alimentos como pães, bolos, doces, frituras e salgadinhos apresentavam um risco 75% maior de desenvolver uma condição chamada subfertilidade, na qual a parceira demora mais para engravidar, em comparação com aqueles que tinham uma dieta saudável.
Os cientistas acompanharam os dados de saúde de 831 mulheres e 651 homens que estavam tentando engravidar e perguntaram aos participantes sobre a frequência com que consumiam alimentos ultraprocessados.
Em média, as mulheres relataram que cerca de um quinto de sua dieta era composto por esses alimentos, enquanto os homens responderam um quarto.
Os ultraprocessados são conhecidos por conter ingredientes artificiais e altos níveis de gordura, açúcar e sal.
Os pesquisadores descobriram que esses participantes tinham uma probabilidade significativamente maior de enfrentar problemas relacionados à gravidez. Em média, pouco menos de 40% dos homens entrevistados apresentaram subfertilidade — porém, entre os homens que consumiam mais, essa porcentagem aumentava para 70%.
O estudo holandês também descobriu que os filhos de mulheres que consomem regularmente alimentos ultraprocessados têm uma probabilidade ligeiramente maior de apresentar problemas de desenvolvimento.
Eles apresentaram maior probabilidade de sofrer anomalias durante a gravidez. Esses fetos apresentavam sacos vitelínicos ligeiramente menores – um dos estágios iniciais da gravidez, que se forma nas primeiras seis semanas.
Eles também levaram um pouco mais de tempo para se desenvolverem de um óvulo fertilizado em um embrião — um processo, conhecido como crescimento embrionário, que geralmente ocorre nos dois primeiros meses de gravidez.
Estudos anteriores sugeriram que um crescimento embrionário mais lento pode, por vezes, estar associado a partos prematuros, abortos espontâneos e um risco aumentado de problemas cardíacos e sanguíneos na infância.
Os autores afirmaram que são necessárias mais pesquisas sobre o tema, principalmente porque o estudo foi observacional, o que significa que não pode provar que o consumo de alimentos ultraprocessados levou diretamente a esses problemas de fertilidade e que as conclusões do estudo e as recomendações precisam ser interpretadas com cautela.
Mas estão apelando aos casais que tentam engravidar para que sigam uma dieta com baixo teor de gordura não saturada, a fim de aumentar as hipóteses de concepção e limitar o risco de complicações perigosas no parto.
“Nossos resultados sugerem que uma dieta com baixo teor de UPFs seria a melhor opção para ambos os parceiros, não apenas para a saúde deles, mas também para as chances de gravidez e para a saúde do bebê. Devemos abandonar a ideia de que apenas a saúde e o estilo de vida das futuras mães são importantes para os resultados da gravidez e dos filhos, e reconhecer que a saúde e o estilo de vida tanto da futura mãe quanto do futuro pai desempenham um papel importante”, explicou Romy Gaillard, epidemiologista da Universidade Erasmus de Roterdã e pesquisadora principal do estudo.
