Resiliência climática, a capacidade de absorver, recuperar e se adaptar aos impactos das Mudanças Climática em suas três dimensões – Artigo 8
𝙥𝙤𝙧 𝙁𝙚𝙧𝙣𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙁𝙞𝙜𝙪𝙚𝙞𝙧𝙚𝙙𝙤 – 𝘾𝙤𝙡𝙪𝙣𝙖 𝙀𝙣𝙫𝙤𝙡𝙫𝙚𝙧𝙙𝙚 – 𝙀𝙢𝙚𝙧𝙜𝙚̂𝙣𝙘𝙞𝙖 𝘾𝙡𝙞𝙢𝙖́𝙩𝙞𝙘𝙖: 𝙀 𝙣𝙤́𝙨 𝙘𝙤𝙢 𝙞𝙨𝙨𝙤?
O conceito vai além da simples resistência a choques, envolve antecipar, absorver, adaptar-se e se transformar diante dos impactos climáticos. Não se trata apenas de voltar ao estado anterior, mas de evoluir para um estado mais robusto e preparado.
O clima está mudando. Eventos extremos como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, tempestades intensas são cada vez mais frequentes como temos visto nos noticiários, é um fato! Não adianta negar nem falar que não é da sua conta, como coloquei em minha primeira coluna, sou um realista com informação, a questão é: o que faremos com essa informação?AUTOR
Vivemos hoje a emergência de ampliarmos nossa consciência sobre estas questões. Eventos extremos serão mais frequentes como alertaram os cientistas. Diante desse cenário, a Resiliência Climática deixou de ser um conceito acadêmico para se tornar uma necessidade concreta de redução de riscos, de custos e qualidade de vida para todos Nós.
Mas o que significa, na prática, construir resiliência climática? A resposta envolve três dimensões interligadas que precisamos olhar com uma visão ampliada. Elas precisam ser enfrentadas de forma integrada … tudo está interconectado em nossa biosfera.
Resiliência Ecológica — a natureza faz a parte dela, se deixarmos

É a capacidade dos ecossistemas de absorverem alterações climáticas. Os ecossistemas saudáveis funcionam como escudos naturais, os manguezais bem preservados reduzem o impacto de ondas e tempestades costeiras, florestas em pé regulam o ciclo das chuvas, mantêm a biodiversidade e sequestram carbono. Solos vivos e com cobertura vegetal absorvem melhor a água, prevenindo deslizamentos e enchentes, esses são alguns exemplos. Soluções baseadas na natureza (SBN) ampliam este escopo de ações e precisam ser integradas ao planejamento urbano.
Resiliência Social — comunidades preparadas sofrem menos
É a capacidade das comunidades de se preparar e se recuperar diante de eventos climáticos. Diz respeito a pessoas, as comunidades. É importante que elas tenham acesso à informação, infraestrutura pensada e alinhada aos desafios de cada região. As questões climáticas devem ser mapeadas em cada localidade, e serem criadas as suas respectivas redes de apoio locais para responderem as situações que se apresentarem.
A desigualdade social é o principal fator de vulnerabilidade em onde acontecem muitas das questões climáticas que hoje vemos. Construir resiliência social exige olhar para as pessoas que vivem nestas condições com políticas públicas inclusivas, moradia digna, serviços básicos e participação comunitária nas decisões.
Resiliência Econômica — o custo de não fazer é maior
É a capacidade dos sistemas produtivos e econômicos de absorverem choques ligados as questões climáticas. A economia global já sente os impactos, as seguradoras têm feitos estudos dos prejuízos causados no Brasil e pelo mundo. Sãos vários setores afetados, agricultura, turismo, infraestrutura e cadeias de suprimento dentre outros. A resiliência econômica depende da ampliação de novas formas e critérios de financiamento para o desenvolvimento sustentável.
O sistema financeiro e político ainda subestima os riscos climáticos. É necessário que se ampliem linhas de crédito, seguros e fundos de resiliência urbana. O resultado de ficar reativo ao que se apresenta é mais caro que o custo de se preparar
Qual o grande desafio que temos nesta frente?
Essas três dimensões não funcionam isoladas. Uma enchente afeta ecossistemas, comunidades e a economia ao mesmo tempo. A resposta precisa ser integrada, é o único caminho que funciona para ser realmente construída a Resiliência climática, que não é um destino. É um processo contínuo. Não existe “pronto”. Existe “mais preparado do que ontem”.
Por que o local importa?
É no território, na cidade, no bairro, na comunidade que os impactos acontecem. E é ali que as soluções precisam ser construídas. Estudos mostram que programas de urbanização planejada com envolvimento local são o caminho. Melhoram infraestrutura, reduzem riscos e fortalecem a capacidade de resposta.
O relatório do IPCC (2022) reforça isso: a resiliência climática se constrói com adaptação local integrada ao desenvolvimento. Não dá para esperar planos nacionais distantes. A mudança começa onde as pessoas vivem.
O que está sob nosso controle
Não controlamos o clima. Controlamos:
- Nossa preparação
- Nossa capacidade de aprender e nos adaptar
- Nossa cobrança por políticas públicas sérias
- Nossa participação nas decisões do território onde vivemos
Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Fortes) são guias práticos assim como o Guia de Adaptação e Resiliência Climática para Municípios e Regiões … Mas guias só funcionam se a gente ler, entender e seguir.
Resiliência climática não é sobre vencer a natureza. É sobre fazer o que precisa ser feito para reduzir riscos com clareza, sem ilusões, um passo de cada vez.
Boa Leitura!
Organizações e estudos citados
IPCC – AR6 Mudanças Climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade — IPCC – https://www.ipcc.ch/report/sixth-assessment-report-working-group-ii/
Guia de Adaptação e Resiliência Climática para Municípios e Regiões – guia_-adaptacao-e-resiliencia-climatica-para-municipios-e-regioes_final.pdf – https://smastr16.blob.core.windows.net/municipiosresilientes/sites/257/2021/09/guia_-adaptacao-e-resiliencia-climatica-para-municipios-e-regioes_final.pdf
ODS – Objetivo do Desenvolvimento Sustentável ODS | GT Agenda 2030 – https://gtagenda2030.org.br/ods/

Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da “bolha” da sustentabilidade.
