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Uma única árvore adulta transpira 400 litros de água por dia. É isso que arrefece a cidade

Uma única árvore adulta transpira 400 litros de água por dia. É isso que arrefece a cidade

A razão pela qual cortar árvores urbanas não é só perda de sombra – é Perda de ar condicionado

Uma única árvore adulta pode mover entre duzentos e quatrocentos litros de água do solo para a atmosfera por dia através do processo de transpiração — água absorvida pelas raízes que percorre o sistema vascular da planta e evapora pela superfície das folhas.

Este processo tem um efeito de arrefecimento local que os investigadores comparam ao de vários aparelhos de ar condicionado funcionando em simultâneo: a energia necessária para vaporizar a água é extraída do ambiente circundante, reduzindo a temperatura do ar ao redor da copa em valores que estudos urbanos documentam entre quatro e oito graus Celsius comparado com espaços equivalentes sem árvores.

A diferença de temperatura documentada em praças com e sem árvores é consistente com estes valores: estudos em cidades europeias e portuguesas mostraram diferenças de temperatura de superfície e do ar de oito a quinze graus Celsius entre espaços pavimentados com árvores e espaços pavimentados sem árvores nas mesmas condições de hora e meteorologia.

A superfície de asfalto exposto ao sol de Julho pode atingir 60 a 70 graus Celsius — temperatura suficiente para causar desconforto através do calor irradiado mesmo sem contato direto. A mesma superfície sob a copa de uma árvore adulta pode estar 30 a 40 graus mais fria.

Além do efeito de transpiração, a sombra criada pela copa reduz diretamente a radiação solar que atinge o pavimento, a flora, a fauna e as pessoas por baixo — um efeito que atua em paralelo com o arrefecimento por evaporação.

O plátano das praças portuguesas — frequentemente com duzentos ou mais anos de idade — representa uma infraestrutura de arrefecimento urbano que não tem equivalente económico prático. A substituição por equipamento de ar condicionado que produzisse o mesmo efeito sobre o espaço público seria impossível em custo e em impacto ambiental.