Anchor Deezer Spotify

Crise do petróleo causada pela guerra no Irã deve acelerar transição energética, diz presidente da COP31

Crise do petróleo causada pela guerra no Irã deve acelerar transição energética, diz presidente da COP31

O impacto da guerra no Irã sobre o mercado global de energia foi analisado pelo australiano Chris Bowen, presidente das negociações da próxima conferência do clima da ONU, a COP31. Browen alega que o conflito reforça a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e, além disso, a tendência é de abrir espaço para avanços concretos nas negociações internacionais

De acordo com Bowen, em entrevista ao The Guardian, a atual turbulência no mercado energético representa a segunda grande crise global dos combustíveis fósseis em menos de quatro anos. A primeira aconteceu com a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

“Há um apetite real para enfatizar confiabilidade e soberania energética neste ano”, afirmou Bowen.

Crise geopolítica

A fala de Bowen está alinhada com a avaliação da Agência Internacional de Energia, cujo diretor, Fatih Birol, tem defendido que choques geopolíticos tendem a acelerar a migração para fontes renováveis, justamente por expor a vulnerabilidade das cadeias globais de combustíveis fósseis.

O tema ganha força após a COP30, realizada no Brasil, marcada por impasses com países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, que resistiram a eliminação gradual dos combustíveis fósseis nos textos finais da Conferência.

Esse cenário motivou a realização de encontros paralelos, como a conferência de Santa Marta, na Colômbia, realizada desde o final da semana passada e que reúne mais de 50 países em uma tentativa de acelerar compromissos fora do consenso formal das COPs. Entre os participantes estão grandes produtores de petróleo e gás, como Brasil, México, Nigéria e Canadá.

Por outro lado, os maiores emissores globais, China, Estados Unidos, Índia e Rússia, não participam das discussões na Colômbia. Os EUA, sob a presidência de Donald Trump, saíram do Acordo de Paris e não participaram da última cúpula climática da ONU, a COP30.

COP31

“Acho que as COPs agora dificilmente serão grandes sucessos ou fracassos devastadores. Elas tendem a ser progressos incrementais. A questão é o tamanho desse progresso”, ressaltou Bowen.

A COP31, prevista para novembro na cidade de Antália, na Turquia, terá um modelo inédito de governança: enquanto o país anfitrião sediará o evento, a Austrália ficará responsável por conduzir as negociações entre cerca de 200 delegações.

Entre as prioridades da próxima conferência estão a implementação do compromisso global de triplicar a capacidade de energias renováveis e dobrar a eficiência energética até 2030, além de ampliar o acesso a financiamento climático para países em desenvolvimento.

“Essas negociações sempre envolvem tensão, mas também oportunidades. Precisamos aproveitar este momento para avançar”, finalizou o negociador.