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Como a comida ultraprocessada pode atrapalhar seu foco, segundo este estudo

Como a comida ultraprocessada pode atrapalhar seu foco, segundo este estudo

Mesmo pessoas que se alimentam de forma saudável estão suscetíveis aos efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados. É o que mostrou uma nova pesquisa

Um estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring na última quinta-feira (23) indica que uma dieta rica em alimentos ultraprocessados pode afetar negativamente a capacidade de concentração do cérebro, atrapalhando o foco e aumentando o risco de demência.

O estudo é resultado da parceria de diferentes institutos, incluindo a Universidade de Monash e a Universidade de Deakin, ambas da Austrália. A brasileira Eurídice Martínez Steele, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) também integrou a equipe de pesquisadores, que examinou a dieta e a saúde cognitiva de 2.192 australianos com idades entre 40 e 70 anos.

Os resultados do estudo reforçam a ligação existente entre a indústria alimentícia e o declínio cognitivo. Em comunicado, Barbara Cardoso, da Universidade de Monash, compartilhou que um ligeiro aumento diário no consumo de alimentos ultraprocessados está associado a uma queda na capacidade de atenção.

“Para colocar nossas descobertas em perspectiva, um aumento de 10% nos alimentos ultraprocessados é equivalente a adicionar um pacote comum de batatas fritas à sua dieta diária”, exemplificou Cardoso.

Ultraprocessados e a saúde cognitiva

Para os testes, os participantes do estudo precisaram consumir cerca de 41% de toda a sua energia diária a partir de alimentos ultraprocessados. A métrica utilizada foi a média nacional australiana, que corresponde a 42%.

O macarrão instantâneo é um ultraprocessado consumido em grandes quantidades pelas pessoas que possuem rotinas corridas e tempo limitado — Foto: Wikimedia Commons
O macarrão instantâneo é um ultraprocessado consumido em grandes quantidades pelas pessoas que possuem rotinas corridas e tempo limitado — Foto: Wikimedia Commons

A equipe percebeu que os efeitos nocivos do ultraprocessados ocorrem independentemente da qualidade geral da dieta de uma pessoa. O que diferencia a saúde cognitiva de uma pessoa para a outra é, possivelmente, a quantidade consumida desses alimentos pobres em nutrientes.

Esse declínio foi percebido pelas baixas pontuações em testes cognitivos obtidos pelos participantes. Isso aconteceu porque “o ultraprocessamento de alimentos frequentemente destrói a estrutura natural dos alimentos e introduz substâncias potencialmente nocivas, como aditivos artificiais ou produtos químicos”, contou Cardoso. Substâncias essas que prejudicam a atenção visual e a velocidade de processamento.

Não à toa, o grau do processamento dos alimentos desempenha um papel fundamental nos danos causados. Entre as principais nocividades, a pesquisa revelou o aumento nos fatores de risco de demência, que incluem condições como hipertensão e obesidade, que podem ser controladas de maneira ativa pelo paciente para proteger o cérebro.

O estudo, no entanto, não encontrou quaisquer evidências científicas que comprovem uma associação direta entre alimentos ultraprocessados e perda de memória. Ainda assim, esses alimentos afetam a capacidade de atenção, considerada fundamental para operações cerebrais importantes, como aprendizado e resolução de problemas.