21% das espécies de répteis estão em perigo de extinção, diz 1ª avaliação global sobre assunto

21% das espécies de répteis estão em perigo de extinção, diz 1ª avaliação global sobre assunto

Pesquisa afirma que 1.829 tipos de tartarugas, crocodilos, lagartos e cobras correm risco de desaparecer

Nem mesmo a perigosa cobra-real está a salvo. A serpente venenosa que habita as planícies e florestas tropicais da Índia e da China figura na lista de répteis ameaçados de extinção – uma coletânea inédita que mostrou que 1 a cada 5 espécies desses animais está vulnerável. A pesquisa, publicada na prestigiada revista Nature, foi notícia em diversos veículos internacionais nesta quinta-feira (28).

O zoólogo Bruce Young afirmou ao El país que foi difícil conseguir financiamento para seus estudos porque os protagonistas desta grande investigação científica não costumam figurar na lista dos animais mais populares. “Os répteis são menos carismáticos que os mamíferos ou as aves”, admite Young com resignação.

Para ele, esse sentimento contribuiu para que houvessem poucas informações sobre o grau de vulnerabilidade desses animais. Mas a nova pesquisa, que demorou 15 anos para ser concluída e contou com a participação de 961 cientistas de 24 países, rompeu esse vácuo e analisou 10.196 espécies de répteis. A conclusão é 1.829 espécies, 21% do total, foram classificadas como ameaçadas, criticamente ameaçadas ou vulneráveis ​​à extinção.

Em termos comparativos, outras pesquisas indicam que 13,6% das aves estão ameaçadas em algum grau. No caso dos mamíferos, 25,4% estão em risco e no dos anfíbios 40,7%.

“Esta é a primeira vez que essa análise é feita no mundo. Para aves foi feita uma pesquisa na década de 1990, para anfíbios em 2003 e para mamíferos em 2008, mas havia muita dúvida sobre o que estava acontecendo com os répteis”, explica o zoólogo, que é membro da organização não governamental NatureServe.

No estudo, a iguana marinha de Galápagos, o único lagarto do mundo adaptado à vida marinha, foi classificado como “vulnerável” à extinção. Blair Hedges, biólogo da Temple University que é coautor da pesquisa, afirma que levou 5 milhões de anos para este lagarto se adaptar ao mar, e lamenta: “quanta história evolutiva pode ser perdida se essa única espécie for extinta”.

A pesquisa aponta ainda que répteis que vivem em áreas florestais, como a cobra-real, são mais propensos a serem ameaçados de extinção do que os que vivem no deserto, porque as florestas enfrentam maiores perturbações de origem humana.

Young afirma que as causas que colocam em xeque as espécies de répteis são principalmente o desmatamento, a expansão de áreas urbanas, a transformação de terras para aumento de área agrícola ou para a pecuária, a presença de espécies invasoras, a caça e as mudanças climáticas, que distorcem por exemplo as proporções macho-fêmea de filhotes (porque mudam as temperaturas a que os ovos são expostos, como no caso de algumas tartarugas).

Entre as estratégias de conservação apontadas pelo estudo para evitar a extinção dos répteis está a erradicação de espécies invasoras e o aumento de áreas protegidas, o que pode frear o desmatamento e a transformação do solo.