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Neblina é um ambiente repleto de vida. E vida benéfica

Neblina é um ambiente repleto de vida. E vida benéfica

As nuvens têm um papel preponderante no clima da Terra, mas a simples e pouco considerada neblina pode não ser menos importante.

A pesquisadora Thi Cao, a Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, acaba de descobrir que a neblina é bem mais do que uma névoa inerte que costuma surgir nas madrugadas – a neblina é de fato um ecossistema vivo.

Já se sabia que bactérias flutuam no ar e nas nuvens, mas ninguém tinha ideia do que elas faziam nessas situações. Isso levou à hipótese de que elas ficariam em estado de latência, até cair sobre as plantas, o solo ou a água. Foi então que ocorreu a Cao que a neblina é um misto de ar e água, o que a torna um ambiente muito interessante. “Há um conhecimento muito limitado sobre os tipos de bactérias presentes na neblina, que é como uma nuvem ao nível do solo,” disse ela.

Meio ambiente

A pesquisadora então coletou cuidadosamente amostras do ar ambiente quando a neblina estava presente, e então passou exaustivas horas no laboratório analisando as amostras sob o microscópio, em um ambiente livre de contaminação, e descobriu algo surpreendente: As bactérias que flutuavam nas minúsculas gotículas de neblina estavam vivas, crescendo e, mais do que isso, decompondo os poluentes do ar, usando-os como alimento.

Em outras palavras, a neblina não é uma névoa estéril, nem um mar de micróbios em estado latente; é um habitat aquático temporário para pequenos organismos que, de modo um tanto útil, ajudam a purificar o ar que respiramos, deixando-o mais limpo para quando acordarmos de manhã.

Neblina é um ambiente repleto de vida. E vida benéfica

Comparação das populações bacterianas em partículas de aerossol intersticial (painéis superiores) versus água de neblina (painéis inferiores).
[Imagem: Thi Thuong Cao et al. – 10.1128/mbio.00463-26]

Decomposição de poluentes

As análises mostraram que menos de 1% das gotículas de neblina contêm bactérias. Não, não é pouco; na verdade, é uma quantidade impressionante de vida.

“Quando você considera todas as gotículas juntas, a concentração de bactérias é a mesma que no oceano,” detalhou o professor Ferran Garcia-Pichel. “Uma pequena quantidade de água da neblina, equivalente a um dedal, contém cerca de 10 milhões de bactérias.”

E um grupo de bactérias se destacou na neblina coletada: As metilobactérias. Amostras de ar seco coletadas antes de eventos de neblina continham menos dessas bactérias do que as amostras coletadas imediatamente depois. Isso sugere que a neblina aumenta brevemente sua população.

As metilobactérias se alimentam de compostos de carbono simples, que incluem substâncias químicas nocivas como o formaldeído. O formaldeído é um poluente comum que contribui para a formação de ozônio e prejudica a saúde humana.

“Observamos as bactérias ao microscópio e constatamos que, sim, elas estão aumentando de tamanho e se dividindo, ou seja, estão crescendo”, disse Cao. “Também descobrimos que elas estão usando o formaldeído como alimento para sustentar seu crescimento.”

Na verdade, as bactérias eliminaram quantidades tão grandes de formaldeído tão rapidamente que os pesquisadores suspeitaram que elas não estavam apenas consumindo o composto porque, em níveis elevados, a substância química é tóxica para as bactérias. De fato, o que ocorre é que as bactérias decompõem o formaldeído em dióxido de carbono para manter seus níveis mais baixos. É uma situação vantajosa tanto para os micróbios quanto para os humanos.

Bibliografia:

Artigo: Growth and formaldehyde degradation of photoheterotrophic Methylobacterium within radiation fogs
Autores: Thi Thuong Thuong Cao, Pierre Herckes, Derek Straub, Soumyadev Sarkar, Ferran Garcia-Pichel
Revista: mBio
Vol.: 17, No. 6
DOI: 10.1128/mbio.00463-26