Mudança climática, não El Niño, é maior causa do branqueamento de corais
Novo estudo global revela impacto devastador da ação humana nos ecossistemas marinhos.
Um novo estudo internacional, publicado neste mês de julho de 2026 na revista Oceanography e liderado pelo grupo de pesquisadores da Climate Central, revela que a mudança climática impulsionada por atividades humanas é o principal catalisador dos eventos de branqueamento de corais em todo o mundo. A pesquisa desmistifica a ideia de que o fenômeno El Niño seria o fator dominante, apontando as emissões de gases de efeito estufa como o verdadeiro motor do aquecimento oceânico.
As descobertas indicam que, sem a interferência humana, eventos massivos de branqueamento seriam raros e isolados, não a ameaça global que representam atualmente. Segundo Andrew Pershing, diretor de programas da Climate Central e autor principal do estudo, “Nosso estudo mostra que, sem a mudança climática, o branqueamento de corais seria um evento raro e isolado, e o branqueamento global de corais simplesmente não ocorreria.”
Impacto humano no azul profundo
O branqueamento de corais ocorre quando os recifes perdem a coloração vibrante. Isso acontece porque os corais expelem as algas que vivem em seus tecidos, essenciais para a fotossíntese e, consequentemente, para a energia do coral. Elevadas temperaturas oceânicas são o principal estressor.
Os pesquisadores analisaram os principais eventos de branqueamento global de 1998, 2010, 2014-2017 e 2018-2025, correlacionando-os com os eventos de El Niño. O El Niño, um fenômeno climático natural, eleva as temperaturas da superfície do mar e provoca outras alterações climáticas. A sobreposição desses eventos dificultava, até este estudo, a distinção clara entre os impactos naturais e os antropogênicos.
Metodologia e Provas Contundentes
Para isolar o impacto da mudança climática, os cientistas empregaram um método de atribuição de eventos extremos com múltiplos modelos. Compararam seus dados com o modelo de risco de branqueamento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA.
No último evento de branqueamento, entre 2018 e 2025, a maioria dos riscos foi diretamente atribuída à mudança climática induzida pelo homem. O estudo constatou que, das 71 regiões onde o branqueamento foi observado, apenas uma teria risco moderado em um cenário sem a mudança climática. Essa proporção alarmante se manteve em todos os eventos globais de branqueamento desde 1998, indicando que o El Niño nunca foi o único fator.
A análise se estendeu ao atual El Niño, embora em andamento. Os pesquisadores projetam que, embora o El Niño contribua para branqueamento de baixo nível entre 2026 e 2027, o risco iminente da mudança climática é muito maior. Regiões como o Caribe, as costas da América Central e do Sul, e as costas do leste asiático são particularmente vulneráveis este ano.
“Milhões de pessoas e países inteiros dependem de recifes de coral saudáveis para seu sustento e segurança alimentar”, afirmou Pershing. “Sem a redução imediata das emissões, os recifes de coral, como os conhecemos, desaparecerão.”
A situação é crítica também para a Amazônia Azul, o vasto ecossistema marinho brasileiro que abriga uma rica biodiversidade e recifes de corais, como os da costa nordeste. A elevação da temperatura dos oceanos impacta diretamente a saúde desses recifes, comprometendo a vida marinha e as comunidades costeiras que dependem dela para subsistência e turismo. A preservação desses ecossistemas é vital para a biodiversidade global e para o equilíbrio climático do planeta.
Próximos Passos
As conclusões do estudo reforçam a urgência da redução das emissões de gases de efeito estufa. Organizações ambientais e governos precisam intensificar as ações para mitigar o aquecimento global, visando a proteção dos recifes de coral e dos ecossistemas marinhos. A continuidade dos estudos e o monitoramento rigoroso são cruciais para entender e prever os próximos desdobramentos.
Perguntas Frequentes
O que é o branqueamento de corais?
É a perda de cor dos corais devido à expulsão das algas simbióticas, essenciais para sua nutrição e sobrevivência, geralmente causada por estresses ambientais como o aumento da temperatura da água.
Qual a principal causa do branqueamento de corais?
A principal causa do branqueamento global de corais, segundo o novo estudo, é a mudança climática induzida por humanos, devido ao aquecimento dos oceanos.
Quais regiões estão mais vulneráveis ao branqueamento em 2026-2027?
O Caribe, as costas da América Central e do Sul, e as costas do leste asiático são as regiões mais vulneráveis, além dos recifes da Amazônia Azul.
