Embalagens escondem ‘armadilhas’ para a saúde; veja como evitar danos ao corpo

Embalagens escondem ‘armadilhas’ para a saúde; veja como evitar danos ao corpo

Há duas semanas, escrevi sobre a degradação da saúde da classe média brasileira e de como a indústria alimentícia, por meio da mudança na composição de alguns produtos clássicos, pode contribuir para agravar esse cenário. A melhor maneira de fugir das armadilhas desses alimentos alterados é a informação. O principal chamariz de um produto é a sua embalagem. O ditado “Por fora, bela viola, por dentro, pão bolorento” encaixa-se perfeitamente no campo dos alimentos ultraprocessados. As embalagens são bem desenhadas, fotos apetitosas, cores vibrantes e dizeres que parecem implorar para que você os puxe da prateleira e coloque no carrinho do supermercado. Da mesma maneira que nos seduzem ali, nas letras miúdas, podem conter informações que nos fazem repensar se vale a pena ou o não seu consumo.

Temos um poderoso aliado na obrigatoriedade das informações contidas nos rótulos dos alimentos: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é responsável por fiscalizar a produção e a comercialização dos alimentos, além de normatizar a rotulagem.

Se você quiser comprar requeijão, não leve mistura de requeijão e amido, não troque o leite em pó por composto lácteo. Esses produtos geralmente sofrem tais alterações na formulação tradicional, em que a proteína é trocada por uma espécie de farinha, para baratear o seu custo, implicando um produto com valor nutricional menor, que pode comprometer o equilíbrio da alimentação.

A lista de ingredientes é um item fundamental para saber se aquilo que se vende na embalagem é exatamente o que estamos comprando. Obrigatoriamente, a lista de ingredientes deve ser apresentada em ordem decrescente, ou seja, da maior à menor quantidade. Quando você compra um biscoito integral, o que espera? Que a farinha de trigo integral apareça em primeiro lugar na lista, certo? O mesmo acontece com o creme de avelã, em que avelã deveria ocupar lugar de destaque! Não é o que acontece. No caso dos biscoitos, a farinha de trigo consta como o ingrediente principal, assim como o açúcar, na lista de ingredientes do creme de avelã.

Ao ler a lista de ingredientes, fique atento aos disfarces utilizados pela indústria para esconder a presença de açúcar, por exemplo. Nomes como maltodextrina, sacarose, dextrose, melaço, glucose, xarope de milho, maltose são exemplos de açúcar simples que, quando consumidos em excesso, podem fazer tão mal quando o açúcar refinado tão temido nas embalagens.

Aquela tabela presente no verso em quase todas as embalagens esconde dados preciosos sobre a informação nutricional dos alimentos, mas como são expressos em gramas, muitas vezes, não temos a noção exata da quantidade de gordura, açúcar e sal contidos em um inofensivo biscoito cream cracker, por exemplo. Em uma porção de 30g (seis biscoitos), 6g são de gorduras, que correspondem a 20% do peso total da porção. Traduzindo, ao consumir seis biscoitos, você consome mais que um biscoito só em gordura!

A legislação em relação à rotulagem de alimentos traz novidades a partir de outubro deste ano. A grande mudança dessa atualização é a rotulagem nutricional frontal, ou seja, a tabela com informações nutricionais deve estar na parte da frente da embalagem. A ideia é esclarecer ao consumidor, de forma clara e simples, sobre o alto conteúdo de nutrientes que tenham relevância para a saúde.

Outra inovação interessante é a obrigatoriedade de um símbolo de lupa para identificar o alto teor de três nutrientes: açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio. O símbolo deverá ser aplicado na face frontal da embalagem, na parte superior, por ser uma área facilmente capturada pelo olhar. O principal objetivo dessa atualização é permitir que os consumidores possam fazer escolhas mais conscientes do que estão comprando, tornando a rotulagem nutricional de mais fácil entendimento e usabilidade. Está tudo ali, basta saber ler.