El Niño pode ser o mais intenso desde 1950 e acende alerta para climatização no Brasil
Previsões até março de 2027 apontam calor acima da média e maior pressão sobre consumo elétrico e sistemas de refrigeração em residências empresas hospitais e prédios públicos
O El Niño iniciado em junho pode se tornar o mais intenso já registrado desde 1950 e aumentar a ocorrência de temperaturas acima da média em diferentes regiões do Brasil nos próximos meses. Segundo previsão divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com base em dados da NOAA, há mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte e 69% de probabilidade de superar todos os registros da série histórica. A expectativa é que o evento persista até março de 2027, atravessando a primavera e o verão, período em que o aumento do calor tende a ampliar o uso de ar-condicionado e a pressão sobre o consumo de energia.
Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização e CEO do Grupo RETEC, empresa especializada em infraestrutura climática, qualidade do ar e ambientes críticos, afirma que a possibilidade de temperaturas mais elevadas exige atenção antecipada de empresas, condomínios, hospitais e prédios públicos. “É comum vermos equipamentos colapsarem justamente nas ondas de calor, quando são mais necessários. Isso não é coincidência, é falta de planejamento e revisão constante”, afirma o engenheiro.
Na prática, o El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, alterando a circulação da atmosfera e, consequentemente, os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região, mas o aumento das temperaturas é um dos pontos de atenção. A partir de agosto, o INMET prevê calor acima da média em grande parte do território nacional, com desvios que podem chegar a 2 °C em áreas do Norte e do Centro-Oeste.
Calor aumenta pressão sobre o consumo de energia
Quanto mais elevada a temperatura externa, maior tende a ser o esforço necessário para manter os ambientes climatizados. Isso significa aparelhos funcionando por mais tempo e sistemas operando próximos de sua capacidade máxima, especialmente em períodos de calor prolongado.
Esse movimento já aparece nos dados brasileiros. Em análise sobre o primeiro trimestre de 2026, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou temperaturas acima da média, ondas de calor, clima seco e maior utilização de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores entre os fatores que elevaram o consumo residencial. No setor comercial, a própria EPE registrou que as altas temperaturas de janeiro favoreceram o uso da climatização. O impacto ultrapassa a conta de luz.
Para Galletti, o risco aumenta quando edifícios projetados para trabalhar dentro de determinados padrões de temperatura precisam enfrentar períodos prolongados de calor. Equipamentos antigos, dimensionamento inadequado, filtros obstruídos e manutenção atrasada podem elevar o gasto de energia e aumentar a possibilidade de falhas justamente nos dias de maior necessidade.
“A climatização não pode mais ser vista como acessório. É uma infraestrutura essencial e deve ser tratada com planejamento, manutenção e tecnologia. O custo de não investir nisso é muito maior a longo prazo”, afirma o CEO do Grupo RETEC.
Hospitais empresas e prédios públicos entram no radar
O problema ganha outra dimensão em hospitais, escolas, data centers, indústrias, centros comerciais e edifícios corporativos, onde uma falha na climatização pode comprometer atividades essenciais. Em unidades de saúde, por exemplo, os sistemas também são responsáveis pelo controle de temperatura, umidade, filtragem e renovação do ar, funções que exigem operação contínua e manutenção adequada.
A preparação para os próximos meses, segundo o especialista, passa pela revisão preventiva dos equipamentos, avaliação da capacidade instalada, limpeza e substituição de filtros, verificação dos fluidos refrigerantes e acompanhamento do consumo. Sistemas automatizados, sensores de ocupação e controle independente por zonas também permitem climatizar apenas as áreas que realmente precisam, reduzindo desperdícios e sobrecarga.
Os efeitos do El Niño, no entanto, não são iguais em todo o território brasileiro. Enquanto o Sul tende a registrar mais episódios de chuva, áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. Temperatura e precipitação também dependem da combinação com outros fenômenos atmosféricos. Por isso, mais do que associar o El Niño apenas ao calor, especialistas acompanham como suas alterações na circulação atmosférica podem intensificar extremos climáticos em diferentes regiões.
Com a perspectiva de um El Niño forte atravessando a primavera e o verão de 2026 e 2027, a preparação da infraestrutura passa a ganhar espaço antes mesmo dos meses mais quentes. Para empresas e gestores de grandes edifícios, revisar a climatização antecipadamente pode evitar que o aumento da temperatura se transforme em maior consumo, falhas de equipamentos e interrupções de atividades.
Sobre Patrick Galletti
Patrick Galletti é Engenheiro Mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização, pós-graduando em Qualidade do Ar e especialista no “Impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas”, pela Universidade de Harvard. Possui experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos de construções, obras e operações offshore em uma das maiores empresas do Brasil, além de onze anos de atuação no mercado de climatização. Atualmente, é CEO do Grupo RETEC, uma empresa pioneira e referência com mais de 44 anos de atuação no mercado de AVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).
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Sobre o Grupo RETEC
O Grupo RETEC é referência, há mais de 44 anos, no setor de climatização e refrigeração no Distrito Federal e Goiás, oferecendo soluções integradas para instalação de ar-condicionado, ventilação, isolamento térmico e renovação de ar. Com uma equipe altamente qualificada e parcerias com fabricantes líderes, a empresa garante acesso às tecnologias mais avançadas e inovadoras do mercado. Oferecendo suporte técnico especializado e produtos com pronta-entrega, o Grupo RETEC está comprometido com a excelência, inovação e satisfação de seus clientes em projetos de diferentes portes.
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