Colapso ambiental: Terra atingiu ponto de sobrecarga e não consegue mais acompanhar ritmo de consumo humano
Em 1972, quando a série histórica começou, a sobrecarga ocorria apenas no último dia do ano, mas, nas décadas seguintes, a data foi sendo antecipada para novembro e assim sucessivamente, até atingir o mês de julho em 2026
Segundo a organização Global Footprint Network, que calcula indicadores sobre o uso dos recursos naturais do planeta pela atividade humana, o mundo atingiu, em 2026, o marco chamado de “Dia da Sobrecarga da Terra” (Earth Overshoot Day).
É como se, a partir de agora, o consumo humano dos recursos oferecidos pelo planeta passasse a ser deficitário em relação ao que a Terra ainda é capaz de oferecer.
Isso quer dizer que a degradação dos estoques naturais do planeta, assim como a emissão de gases poluentes na atmosfera, atingiu o limite de sobrecarga ecológica da Terra, e o atual padrão de consumo passa a exigir 1,73 planeta para se tornar sustentável ao longo do tempo.
A humanidade tem consumido recursos até 73% mais rapidamente do que os ecossistemas são capazes de se regenerar, afirma a organização, que calcula a sobrecarga a partir de dois grandes conjuntos de dados: a biocapacidade do planeta (capacidade de produzir recursos e absorver resíduos) e a pegada ecológica da humanidade (a rapidez com que os seres humanos consomem essa capacidade).
São considerados, nos cálculos, fatores como o nível de produção agrícola, a expansão das áreas de pastagem, o uso de recursos aquáticos (em atividades como a pesca) e florestais (como a extração de madeira), a expansão das áreas urbanas e a capacidade dos ecossistemas florestais de absorver as emissões das atividades humanas.
Os dados utilizam as bases estatísticas de agências das Nações Unidas e informações de instituições como o Global Carbon Project e a Agência Internacional de Energia (IEA).
A data é calculada pela fórmula:
(Biocapacidade da Terra ÷ Pegada Ecológica da humanidade) × 365 dias.
A organização destaca que, desde o início do déficit ecológico global, no começo da década de 1970, a humanidade acumulou uma espécie de “dívida ecológica”; neste ano, ela já equivale a 20,6 anos da produtividade biológica anual do planeta.
Em 1972, quando a série histórica começou, a sobrecarga ocorria apenas no último dia do ano, mas, nas décadas seguintes, a data foi sendo antecipada para novembro e assim sucessivamente, até atingir o mês de julho em 2026.
O “adiantamento” da conta tem como motivo, segundo o levantamento, o crescimento da demanda mundial por alimentos, energia e matérias-primas e a redução da capacidade dos ecossistemas de regenerar recursos naturais, agravada por fatores como desmatamento, degradação dos solos, perda de biodiversidade e mudanças climáticas.
Dados da Global Footprint Network mostram que 62% da pegada ecológica global decorrem das emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis.
Mas, ao contrário das outras grandes economias, o Brasil tem um “superávit ecológico”, já que o país detém a maior biocapacidade do mundo em termos absolutos, impulsionada principalmente pela Amazônia, pelo Cerrado, pelo Pantanal e por sua extensa área agrícola e florestal.
De acordo com a Global Footprint Network, se toda a população mundial consumisse recursos naturais no mesmo padrão médio dos brasileiros, o Dia da Sobrecarga ocorreria apenas em 14 de agosto, cerca de duas semanas após a data global.
Em 2026, segundo a organização, os países de maior consumo per capita de recursos são Catar, Luxemburgo, Singapura, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Já aqueles com menor consumo médio são Bangladesh, Índia, Etiópia e Senegal, que permanecem abaixo da biocapacidade média global.
