Cientistas de dez países realizam estudo sobre a importância das cavernas
Pesquisa envolveu brasileiros e traz dados sobre os chamados “serviços sistêmicos” prestados por cavernas e outros ambientes subterrâneos
As cavernas são ambientes fascinantes e indispensáveis para o equilíbrio do meio ambiente. Publicado na revista Biological Reviews, um estudo reuniu cientistas de dez países – incluindo o Brasil – para abordar os chamados “serviços ecossistêmicos” prestados por ambientes subterrâneos ao redor do mundo. As cavernas são as estrelas da pesquisa, que também inclui vãos e fissuras presentes em rochas.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), serviços sistêmicos são “serviços” prestados gratuitamente pela natureza, que impactam diretamente na vida dos seres humanos. A pesquisa aponta que ambientes subterrâneos prestam cerca de 75% dos serviços sistêmicos classificados atualmente.
Alguns dos citados pelo ICMBio são: fornecimento e tratamento da água potável, fonte de energia renovável geotérmica, abrigo para espécies essenciais à agricultura, depuração de compostos tóxicos, regulação climática, fonte de recursos para biotecnologia, moradia, lazer, local de orações e produção de alimentos (como cogumelos, queijos e vinhos).
Hoje, 90 tipos de serviços ecossistêmicos são reconhecidos. Eles estão agrupados em três categorias: serviços de provisão (referentes a bens adquiridos da natureza, como alimentos e água), serviços de regulação e manutenção (processos e condições ambientais que garantem a vida na Terra) e serviços culturais (que incluem turismo e recreação).
O estudo mostra que os ambientes subterrâneos prestam ao menos 68 dos 90 serviços ecossistêmicos reconhecidos. Atuam em 63% dos serviços de provisão catalogados, 82% dos serviços de regulação e manutenção e 100% dos serviços culturais.
Os cientistas envolvidos alertam para a necessidade de ampliação da preservação das cavernas e demais ambientes subterrâneos. Vários dos serviços ecossistêmicos prestados são vulneráveis às mudanças ambientais, e alguns já estão ameaçados.
“Se considerarmos que o Brasil possui mais de 30 mil cavernas conhecidas e que esse número representa cerca de 15% do total estimado para o país, podemos ter uma dimensão do que está em jogo”, diz Enrico Bernard, que é um dos coautores brasileiros do estudo. “Alterações recentes nas regras de licenciamento ambiental no Brasil, por exemplo, podem comprometer vários dos serviços que identificamos. Em um momento em que o planeta passa por profundas transformações, proteger as cavernas — e a quantidade e qualidade dos serviços que elas oferecem — representa uma excelente relação custo-benefício”, complementa.
