Brasil tem alta de 72% nos casos de dengue no primeiro trimestre

Brasil tem alta de 72% nos casos de dengue no primeiro trimestre

A comparação é com o mesmo período do ano passado. A região mais afetada pela doença é o Centro-Oeste.

O Brasil registrou uma explosão de casos de dengue nos primeiros três meses do ano. A região mais afetada pela doença é o Centro-Oeste.

É palma, campainha ou é no grito mesmo. Na guerra contra a dengue, vale de tudo para chamar a atenção dos moradores. Os agentes da Vigilância Ambiental vão de casa em casa para lembrar o básico: água parada não pode, é criadouro de mosquito.

A cidade com o maior registro de casos no Brasil é Goiânia. São mais de 22,5 mil casos, quase o dobro do registrado em todo o ano passado.

“Eu estou saindo de uma situação de muitos atendimentos de Covid e agora estou tendo de atender muita gente com dengue”, lamenta o infectologista Alexandre Costa.

A região Centro-Oeste é a que tem a maior incidência de dengue no país. São 561 casos para cada 100 mil habitantes, quase cinco vezes o índice da região Sul, que aparece em segundo lugar.

Na região Norte, o índice é de 117; no Sudeste, de 81; e no Nordeste, 49 casos a cada 100 mil habitantes.

Até o fim de março, 70 pessoas morreram vítimas da dengue no país. A maioria em São Paulo, depois Goiás e Bahia.

Em todo o Brasil, nos três primeiros meses deste ano, foram 258.917 casos de dengue, aumento de 72% na comparação com o mesmo período do ano passado e quase a metade de todos os casos que foram registrados ao longo de 2021.

A dengue atingiu em cheio a família da costureira Erismar Pereira Nogueira, em Brasília.

“Foram seis pessoas. Todo mundo pegou de uma vez, parecia que a dengue ia de um em um”, conta.

O vírus da dengue chegou no Brasil por volta dos anos 80. Nesse tempo todo, os cientistas têm sido unânimes em afirmar que a melhor forma de prevenir a doença está ligada ao comportamento da população, e é muito mais simples do que desenvolver uma vacina. É só não deixar água parada dentro de casa.

O professor da Universidade de Brasília Rodrigo Gurgel estuda parasitas há mais de 20 anos. Ele explica que, a cada quatro ou cinco anos, há uma explosão do número de casos. Depende do aumento do volume de chuvas e do relaxamento dos cuidados pela população.

“Por isso é importante essa campanha de educação em saúde para conscientizar cada vez mais a população. De que aquele vaso de planta, aquela piscina, a caixa da água, a calha são locais de desenvolvimento do mosquito, e eles devem ser vistoriados pela população. Porque, por mais que tenha agente de saúde, não tem perna para chegar em toda casa. Então a gente precisa fazer a nossa parte”, orienta.

A vigilante ambiental Herica Pereira faz a parte dela, mas não pode lutar sozinha nessa guerra.

“Se a pessoa não eliminar o foco, não impedir que ele nasça, não vai adiantar. Então, a atitude é de todos. Só podemos combater o mosquito todos juntos”, afirma.