Sexo fora do casamento aumenta risco de doenças cardiovasculares e morte súbita
Algumas pesquisas realizadas nos últimos anos sustentam que viver um relacionamento afetivamente estável é um dos fatores que concorrem para a longevidade. Mas a informação parece não valer para pessoas que vivem relacionamentos extraconjugais. Em uma revisão de literatura sobre infidelidade, publicada on-line no Journal of Sexual Medicine, pesquisadores apresentaram evidências intrigantes de que o sexo fora do casamento pode ser prejudicial para o coração – pelo menos no caso dos homens.
No cinema e na literatura a morte durante a cópula não é novidade, mas na vida real é pouco comum e, quando acontece, geralmente ocorre em relacionamentos extraconjugais, causada por problemas cardiovasculares. O interesse de alguns cientistas pelo tema não é novo. Há mais de meio século um patologista japonês realizou um estudo e relatou que de 34 homens que haviam morrido durante o ato sexual quase 80% tinham relações fora do casamento. Em 2006, patologistas da Coreia do Sul documentaram 14 casos de morte súbita sexual por problemas cardíacos e descobriram que apenas num deles a vítima mantinha relações sexuais com a própria mulher pouco antes da morte. No mesmo ano, pesquisadores da Universidade Goethe, em Frankfurt, publicaram uma análise feita a partir de autópsias de 68 homens que tiveram morte relacionada a sexo, na qual mostravam que dez deles haviam morrido enquanto faziam sexo com uma parceira fixa e 39 com prostitutas.
O estudo mais recente foi desenvolvido pela especialista italiana em transtornos sexuais Alessandra Fisher, pesquisadora da Universidade de Florença. Ela coordenou a análise estatística de uma mostra considerável: quase 1.700 pacientes do sexo masculino e constatou que os homens que mantinham relacionamentos afetivos fora do casamento apresentavam duas vezes mais doenças cardiovasculares.
Curiosamente, as patologias apareciam de forma mais pronunciadas no caso daqueles que tinham “parceiras oficiais” sexualmente interessadas neles. Para Alessandra Fisher, um fator que pode concorrer para aumento do estresse e, consequentemente, para a falência cardíaca, é a culpa. A emoção difusa – e por vezes avassaladora – bastante arraigada na tradição das religiões judaico-cristãs. Embora possa haver aspectos emocionalmente saudáveis na culpa, que permitem que a pessoa se coloque no lugar do outro e reveja as próprias atitudes, quando os conflitos não são encarados (e uma das formas de fazer isso é falando a respeito deles na psicoterapia) a angústia pode se manifestada no corpo, na forma de sintomas psicossomáticos – que, em alguns casos, podem ser fatais. (Por Rebecca Coffey, jornalista)
