Após 40 anos, Paraíba registra chuva de granizo no Sertão

Após 40 anos, Paraíba registra chuva de granizo no Sertão

Fenômeno meteorológico incomum no estado ocorreu esta semana também em municípios do Agreste e Cariri

Cidades do interior da Paraíba registraram chuva de granizo entre a tarde da quarta, 12, e a noite da quinta-feira, 13. O fenômeno foi presenciado nas cidades de Soledade e Santa Luzia, no Agreste; em Assunção, Juazeirinho, Junco do Seridó e Serra Branca, no Cariri; e na zona rural de São José de Espinharas, no Sertão do estado. Na Região Metropolitana de Patos, o fenômeno não era observado há pelo menos 40 anos.
Esse fenômeno natural está ocorrendo em várias cidades da Paraíba, o que, apesar de normal, não é tão comum. Segundo o doutor em meteorologia Mário Leitão, esse fato acontece quando as nuvens que estão formando a chuva registram temperaturas muito baixas e a presença de cristais de gelo, que se unem, formam pequenas bolas e acabam caindo.

“Isso vai depender do desenvolvimento da nuvem que está produzindo a chuva. A temperatura no tempo da nuvem pode chegar a cerca de 90 graus abaixo de zero, e quando começa a vir a precipitação, essa parte superior da nuvem é formada de cristais de gelo e vai se juntando a outros cristais e chegam, em alguns casos, a ter um tamanho razoável”, esclareceu Mário Leitão.

A chuva de granizo, no entanto, só se forma em um único tipo de nuvem, a cumulonimbus, também responsável por trovões e relâmpagos. Essa nuvem atinge até 25 quilômetros de altitude a partir da linha do Equador. “E ela só aparece nas regiões mais quentes. Isso acontece porque ela se forma graças atemperaturas elevadas e alto índice de umidade relativa do ar”, explicou Carmem Becker, meteorologista da Agência Executiva de Gestão das águas na Paraíba (Aesa).

Entre os meses de janeiro e março, o Semiárido paraibano atravessa seu período mais chuvoso e, em 2022, a previsão indica precipitações acima da média histórica.

De acordo com a Aesa, espera-se que chova 600,4 milímetros no Alto Sertão, quando a média histórica é de 480,3 mm. No Sertão, a expectativa é para 482 milímetros, cerca de 25% a mais que a média histórica (385,6 milímetros). Já o Cariri/Curimataú, cuja média histórica é de 204 milímetros, deve registrar pluviometria de 255 milímetros.

Inmet alerta para precipitações em 206 cidades

Até as 10h de hoje, 206 cidades da Paraíba estão sob alerta amarelo e laranja de perigo potencial de chuvas intensas, segundo alerta emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o que significa que deve chover entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, com ventos intensos de 40 a 60 quilômetros por hora.

Há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas. Para as cidades que estão com alerta amarelo, o recomendado pelo Inmet é evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada. Em caso de rajadas de vento, não se abrigar debaixo de árvore e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Um dos alertas laranjas fala sobre riscos de acumulado de chuvas, ou seja, alagamentos, em 15 cidades da Paraíba, que são: Pilar, Pitimbu, Rio Tinto, Santa Rita, São Miguel de Taipu, Alhandra, Bayeux, Caaporã, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, João Pessoa, Juripiranga, Lucena e Pedras de Fogo. Para essas cidades, os risco são de alagamentos, deslizamentos de encostas, transbordamentos de rios.

O recomendado pelo Inmet é evitar enfrentar o mau tempo, observar alteração nas encostas e se possível, desligue aparelhos elétricos e quadro geral de energia. Em caso de situação de inundação, ou similar, proteja seus pertences da água en voltos em sacos plásticos.

De acordo com o Inmet, o segundo alerta laranja, de perigo de chuvas intensas, é para outras 17 cidades da Paraíba em que o aviso é de risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

As cidades são: Bom Jesus, Bonito de Santa Fé, Cachoeira dos Índios, Cajazeiras, Conceição, Diamante, Ibiara, Manaíra, Monte Horebe, Santa Helena, Santa Inês, Santana de Mangueira, São João do Rio do Peixe, São José de Caiana, São José de Piranhas, Serra Grande e Triunfo. Para essas cidades o recomendado é que em caso de rajadas de vento não se abrigue debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.