Anchor Deezer Spotify

Marca brasileira de roupas Insider desenvolve biocouro a partir de borra de café

Marca brasileira de roupas Insider desenvolve biocouro a partir de borra de café

Resíduo do consumo de café é transformado em matéria-prima para a moda em iniciativa que aposta na economia circular e na redução do uso de água

A busca por materiais de menor impacto ambiental na indústria da moda ganhou mais um capítulo com o desenvolvimento de um material alternativo ao couro produzido a partir de borra de café. A iniciativa é da empresa brasileira Insider, que transformou o resíduo em uma matéria-prima destinada à confecção de peças de vestuário.

Segundo a empresa, o chamado biocouro está em processo de patenteamento e foi desenvolvido ao longo de três meses pelo time de pesquisa e desenvolvimento. A proposta é dar um destino de maior valor agregado a um resíduo amplamente gerado no país, alinhando-se aos princípios da economia circular, que busca manter materiais em uso pelo maior tempo possível e reduzir o desperdício.

Resíduo do consumo de café é transformado em matéria-prima para a moda em iniciativa que aposta na economia circular e na redução do uso de água — Foto: Insider/ Divulgação
Resíduo do consumo de café é transformado em matéria-prima para a moda em iniciativa que aposta na economia circular e na redução do uso de água — Foto: Insider/ Divulgação

De acordo com a companhia, cada metro quadrado do material incorpora uma quantidade de borra de café seca equivalente a cerca de 30% do consumo diário médio de café torrado e moído por pessoa no Brasil, com base em dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O desenvolvimento ocorre em um momento em que a indústria da moda procura alternativas ao couro animal e aos materiais sintéticos derivados de combustíveis fósseis. Entre os desafios estão a redução das emissões, o consumo de recursos naturais e o descarte de produtos ao fim da vida útil.

Segundo informações divulgadas pela Insider, o novo material possui pelo menos 75% de composição de origem vegetal. Em testes realizados pela própria empresa, cerca de metade do material se degradou em solo após 15 dias, enquanto aproximadamente dois terços apresentaram decomposição em 30 dias. No mesmo período, couro animal e materiais sintéticos à base de poliuretano (PU) e policloreto de vinila (PVC) não teriam apresentado alterações.

Outro aspecto destacado pela empresa é o consumo de água. Conforme os dados divulgados, a produção do material utiliza menos de dois litros de água por metro quadrado, ante mais de 100 litros necessários para o curtimento do couro tradicional, uma diferença superior a 50 vezes.

“O desafio foi criar um material que entregasse estética e performance sem repetir os impactos ambientais do couro animal ou dos sintéticos plásticos”, afirmou Karen Prado, líder de pesquisa e desenvolvimento da Insider, em nota à imprensa.

A executiva acrescenta que o projeto busca demonstrar o potencial da inovação nacional na área de materiais têxteis. “Estamos falando de um desenvolvimento nacional que mostra que tecnologia têxtil e estilo não precisam ser opostos”, disse.

Mercado em expansão

A empresa também cita projeções da consultoria Future Market Insights segundo as quais o mercado global de materiais alternativos ao couro produzidos a partir de fontes biológicas deverá movimentar US$ 805 milhões em 2025. A expectativa é de crescimento médio anual de 6,6% até 2030, impulsionado pela demanda por produtos veganos e por alternativas aos materiais sintéticos convencionais.

Por enquanto, o material não será comercializado em larga escala. A empresa afirma que a tecnologia será apresentada em uma peça-conceito: uma jaqueta desenvolvida para demonstrar as possibilidades de aplicação do biocouro.

Tecnologia de biocouro da Insider será apresentada em uma peça-conceito: uma jaqueta — Foto: Insider/ Divulgação
Tecnologia de biocouro da Insider será apresentada em uma peça-conceito: uma jaqueta — Foto: Insider/ Divulgação

Para a Insider, o projeto representa um experimento de pesquisa e desenvolvimento voltado a testar novas soluções para a moda sustentável. A iniciativa reflete uma tendência crescente de transformar resíduos agroindustriais em insumos para novos produtos, estratégia vista por especialistas como um dos caminhos para acelerar a circularidade na cadeia têxtil.