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Justiça e Direitos Climáticos: o que são e como afetam a todos nós de formas diferentes

Justiça e Direitos Climáticos: o que são e como afetam a todos nós de formas diferentes

𝙁𝙚𝙧𝙣𝙖𝙣𝙙𝙤 𝙁𝙞𝙜𝙪𝙚𝙞𝙧𝙚𝙙𝙤 – Vou começar esta coluna trazendo dois conceitos fundamentais – Justiça e Direitos Climáticos – para que possamos alinhar nossa visão, ficar na mesma página e ampliar o entendimento sobre estas questões.

É urgente entendermos que as questões climáticas não são restritas a ursos polares e calotas derretendo e tudo mais que temos escutado na mídia. É uma questão abrangente que influencia a vida em todo o planeta: nos países, nas cidades, nos bairros… na sua vizinhança! Ela impacta o meio ambiente, a economia e, principalmente, a vida das pessoas. Suas manifestações tornam ainda mais agudas as desigualdades sociais que já enfrentamos no Brasil.

O que é Justiça Climática?

É uma abordagem ética, política e social que reconhece que as mudanças climáticas não são apenas um problema físico ou ambiental, mas sim uma crise humanitária que amplifica as desigualdades sociais existentes.

Ela parte do fato de que as populações que menos contribuíram para o aquecimento global – comunidades de baixa renda, povos indígenas, países em desenvolvimento – são historicamente as que mais sofrem com os seus impactos extremos – como enchentes, secas e ondas de calor – e as que possuem menos recursos para se adaptar. É justo que existam recursos e projetos para que todos possam ter condições de viver uma vida digna.

O que são Direitos Climáticos?

Representam a aplicação das leis e dos direitos humanos para proteger as pessoas contra os efeitos das mudanças climáticas. Já temos legislações, movimentos e ações acontecendo, porem, precisamos alocar recursos e trazer escala onde se faz necessário e urgente. Agir do tamanho do desafio que cada localidade necessita.

Esse conceito estabelece que um clima estável e um meio ambiente seguro são pré-requisitos indispensáveis para que possamos exercer nossos direitos fundamentais mais básicos como pessoas, como o direito à vida, à saúde, à moradia digna, à alimentação e à água potável dentre outros.

Uma reflexão necessária

Diante desses conceitos, pergunto: você gostaria que sua família tivesse uma vida digna com qualidade? Acredito que sua resposta seja sim. Então, por que essa condição não pode ser para todos? Temos os recursos, o conhecimento e as tecnologias para isso!

Sob essa ótica, governos e empresas têm a obrigação legal e moral de agir para reduzir emissões e proteger a população. Temos evidências científicas claras e bem embasadas que, somadas aos eventos climáticos extremos dos últimos anos, confirmam a gravidade da situação.

As previsões de ativistas, acadêmicos e cientistas estão diante de nós. Em muitas localidades do planeta, a Urgência Climática já é o presente.

A realidade nas periferias

Neste mês do meio ambiente de 2026, diversas comunidades organizadas trabalham juntas para enfrentar sua realidade climática. São populações em condição de sobrevivência: os mais pobres, moradores de periferias ou de áreas esquecidas, oprimidos pelo racismo estrutural e vítimas de discriminação de gênero. São eles os afetados de forma mais assimétrica. Sabemos disso, mas muitas vezes podemos pensar: “não é conosco, não é com minha família”. Será?

O Brasil, que carrega a cicatriz profunda da desigualdade, precisa melhorar em muitos aspectos. Integrar a justiça climática ao debate público, realizar diagnósticos apurados e construir políticas e obras específicas para cada território é fundamental.

Você pode pensar: “Mas isso demanda tempo, é complexo, é problema do governo!” … Concordo que é complexo, mas o problema não é só do governo. É nosso, como sociedade. Como já disse antes, sou um realista com informação e a Emergência Climática é uma questão de todos nós, como cidadãos.

Exemplo prático: A Carta da Maré

Um exemplo inspirador é a Carta dos Direitos Climáticos da Maré, construída por moradores e lideranças do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O documento apresenta a urgência de debater o tema no maior conjunto de favelas do Rio e já inspira outras localidades.

Vale a leitura para tangibilizar o que trago aqui. É um documento debatido por quem vive a realidade local, com desafios sociais e climáticos que podem ser muito diferentes dos seus.

Mais do que um manifesto, esse trabalho gerou uma cartilha com metodologia que você pode acessar e compartilhar. Nela, há caminhos e “tecnologias sociais” explicadas passo a passo. O método está disponível gratuitamente para download. Acesse, entenda e compartilhe.

Boa leitura !

Carta da Maré https://www.climaterealityproject.org.br/post/cartas-de-direitos-clim%C3%A1ticos-pelo-brasil-complexo-da-mar%C3%A9

Metodoligia Cartas Direitos Climáticos https://www.climaterealityproject.org.br/_files/ugd/fbec55_05af5a0358454a7a8e928c8d7e89b5fc.pdf

Sites relacionados ao tema

www.climaterealityproject.org.br

https://centrobrasilnoclima.org/

https://www.wribrasil.org.br/noticias/entenda-o-que-e-justica-climatica

https://www.greenpeace.org/brasil/informe-se/justica-climatica/

Na proxima coluna vou trazer a Carta da Terra que tem entre seus principios Respeitar e cuidar da comunidade da vida: Entender que todos os seres vivos têm seu valor.

Fernando Eliezer Figueiredo atua há mais de 30 anos em sustentabilidade, clima e desenvolvimento sustentável. Teve passagens marcantes como diretor do CDP na América Latina, head de Sustentabilidade da Schneider Electric Brasil e presidente da Câmara de Energia e Clima do CEBDS. Atualmente é consultor na Thinker & Associados, diretor de conteúdos de sustentabilidade na Miração Filmes, professor, curador e empreendedor. Como Líder da Realidade Climática, dedica-se a projetos estratégicos, educativos e audiovisuais para ampliar a consciência climática e traduzir essa agenda para públicos além da “bolha” da sustentabilidade.