Anchor Deezer Spotify

UFPB desenvolve cerveja artesanal com abacaxi e hortelã, e o invento é reconhecido com patente

UFPB desenvolve cerveja artesanal com abacaxi e hortelã, e o invento é reconhecido com patente

Produto foi desenvolvido a partir de um TCC do curso de Engenharia de Alimentos

Pense em uma cerveja de trigo artesanal estilo Weiss (Weizenbier). Mas não em uma cerveja qualquer: essa da qual estamos falando tem adição de abacaxi com hortelã, garantindo características sensoriais diferenciadas, como acidez equilibrada, maior refrescância e notas frutadas, além de uma picância suave.

Enquanto você imaginava, dificilmente passou pela sua cabeça que esse invento foi resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Mas foi exatamente isso que aconteceu. A cerveja foi resultado de um TCC do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a inovação do produto foi reconhecida recentemente pela obtenção de patente junto ao INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

O processo começou há vários anos, por ocasião da conclusão da graduação do estudante Matheus Pereira de Carvalho (que hoje já concluiu o doutorado), orientado pelo professor Marcelo Muniz, do Departamento de Engenharia de Alimentos. O docente conta que o invento surgiu da necessidade de desenvolver produtos inovadores, diferenciados e capazes de atender às novas demandas dos consumidores no ascendente mercado de cervejas artesanais.

“Buscamos associar a inovação tecnológica à valorização de matérias-primas regionais, incorporando à formulação de ingredientes característicos da biodiversidade brasileira, que, nesse caso, foi o abacaxi, fruta de ampla importância e disponibilidade regional, capaz de conferir à bebida características sensoriais diferenciadas”, conta Marcelo.

“Esse tipo de pesquisa é importante porque permite transformar matérias-primas que muitas vezes são pouco aproveitadas e possuem grande potencial regional em novos produtos, potencializando valor e ao mesmo tempo gerando conhecimento científico e tecnológico”, argumenta o inventor.

A Patente de Invenção (PI) da cerveja foi logo submetida ao INPI por meio da Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA). Marcelo explica que o diferencial do produto para a concessão da proteção está na estratégia de incorporação dos ingredientes durante as etapas de elaboração da cerveja.

“Tanto o abacaxi quanto a hortelã foram adicionados de forma gradativa e em etapas específicas de cada processo, incluindo as etapas de fervura e fermentação, de modo a favorecer a incorporação de seus compostos bioativos”, pontua o cientista. “Essas substâncias químicas naturais, em especial das folhas de hortelã, atuam em sinergia, garantindo propriedades antioxidantes, digestivas, anti-inflamatórias e antimicrobianas, além das  características sensoriais tanto da fruta como também da especiaria, dando um sabor especial a bebida”.

Em sua fase de desenvolvimento, a cerveja passou por 122 julgadores não treinados/consumidores, de ambos os gêneros com idades entre 18 e 59 anos. Segundo Marcelo, a bebida foi muito bem aceita pelos consumidores nos diferentes atributos avaliados, como: aparência, cor, espuma, aroma, corpo e sabor, indicando uma boa receptividade do produto.

UFPB atuante na produção de alimento

A produção de bebidas e outros alimentos a partir de processos fermentativos é uma das áreas de atuação do Laboratório de Engenharia Bioquímica, responsável pelo desenvolvimento da cerveja e que pertence ao Departamento de Engenharia de Alimentos. Neste  laboratório, são desenvolvidas pesquisas com produtos como cervejas artesanais, hidromeis, kombuchas, kefirs de água e de leite, além de sorvetes, iogurtes e queijos funcionais. Um dos produtos foi uma bebida alcoólica a base de soro de leite e polpa de caju, como noticiamos ano passado no site da UFPB.

Muniz salienta a importância dessas pesquisas na formação dos estudantes da UFPB, já que os projetos são desenvolvidos no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão, envolvendo pesquisadores da graduação, da iniciação científica e da pós-graduação, incluindo mestrado e doutorado.

Além de Matheus e Marcelo, assinam como inventores Carlos Alberto Bispo de Sousa e Jacinta Lutécia Vitorino da Silva.