Psoríase: desinformação aumenta preconceito contra pacientes

Psoríase: desinformação aumenta preconceito contra pacientes

Segundo pesquisa feita pelo Instituto Datafolha e encomendada pela farmacêutica AbbVie, o brasileiro é bastante desinformado quando o assunto é psoríase, doença autoimune que causa placas espessas, avermelhadas e escamosas na pele e atinge cerca de 5 milhões de pessoas no país e 125 milhões em todo o mundo.

Embora seja considerada uma enfermidade relativamente comum, a falta de informação faz com que haja um grande preconceito com quem tem psoríase.

Pesquisas mostram dados sobre a informação que o brasileiro tem sobre a psoríase e o quanto pacientes com a doença são discriminados. Imagem: Martyna87 – Istockphoto

De acordo com a pesquisa, intitulada “Psoríase: conhecimento entre a população brasileira”, 49% da população acredita que a doença é contagiosa. Além disso, 53% acham que o problema de saúde acontece devido a determinados hábitos alimentares.

Isso sem falar que 90% dos 2.080 entrevistados desconhecem a doença. Outro dado alarmante é que 88% acreditam que pessoas com psoríase não podem trabalhar no manejo de alimentos. O estudo aponta que 39% dos brasileiros atribuem as lesões da psoríase a maus hábitos de higiene.

Para 66% dos entrevistados, quem tem psoríase não pode ter contato com crianças, e 67% acham que nem com o público em geral. Aqueles que acreditam que a doença oferece risco à vida são 65%.

Segundo a pesquisa, as lesões da psoríase são muitas vezes confundidas com outras doenças: alergias (18%), câncer de pele (18%), hanseníase (11%) e micoses (7%).

Os entrevistados foram moradores de 130 cidades do Brasil inteiro, na faixa etária média de 42 anos. A maioria (53%) era composta por mulheres com renda mensal familiar acima de R$3 mil.

“O desconhecimento facilita ainda a disseminação de inverdades sobre a psoríase, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado”, disse o médico Paulo Oldani em entrevista ao site VivaBem. “E o preconceito e estigma contra a doença e seus pacientes podem aumentar o impacto negativo psicológico dos pacientes”, destaca Oldani, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Brasil é o segundo país que mais humilha pessoas com psoríase

Outro estudo, realizado pela Clear 7 Consultance, entidade do Reino Unido, o Brasil é o segundo país onde as pessoas são mais humilhadas e discriminadas por causa da psoríase.

De acordo com o Hospital Oswaldo Cruz, de São Paulo, 96% dos pacientes brasileiros entrevistados pela pesquisa britânica relataram que já sofreram algum tipo de preconceito em função da doença, enquanto a média mundial é de 85%.

O estudo revela que a discriminação pode ocorrer em diversos ambientes e setores da sociedade: 27% dos pacientes brasileiros afirmaram que tiveram atendimento recusado em salões de beleza, cabeleireiros, barbearias e lojas – dado significativamente maior no Brasil quando comparado à média mundial, que é de 16%.

Pessoas com a doença também sofrem discriminação na vida afetiva. A pesquisa aponta que 23% dos brasileiros já tiverem um relacionamento terminado por causa das lesões da psoríase e 40% evitam sexo ou relações íntimas também em função delas.

Quando o assunto é trabalho, os brasileiros com psoríase moderada a grave têm mais medo de perder o emprego do que a média mundial (28% contra 18%). Além disso, mais brasileiros são alvos de “brincadeiras” no ambiente de trabalho (33%) do que a média global de pessoas com a doença (23%).