“Ponto de Virada da Amazônia” mostra que ainda há caminhos possíveis para salvar a floresta
Curta documental do WWF-Brasil reúne ciência indígena e acadêmica para mostrar soluções concretas capazes de evitar o colapso do bioma
Em meio ao avanço do desmatamento, da degradação florestal e da crise climática, o curta documental Ponto de Virada da Amazônia, produzido pelo WWF-Brasil, traz uma mensagem urgente: ainda é possível evitar o colapso da maior floresta tropical do planeta – mas o tempo para agir está se esgotando.
Codirigido por Fer Ligabue, Jacqueline Lisboa e Solange Azevedo, o filme reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para mostrar que soluções baseadas na natureza não apenas existem, como já estão sendo implementadas por povos e comunidades que protegem a floresta há gerações.
O documentário acompanha iniciativas do povo Paiter Suruí, na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, que conciliam conservação ambiental, fortalecimento cultural e geração de renda sustentável. Produção de café, cacau, banana e castanha são algumas das atividades apresentadas no filme como exemplos de uma economia capaz de manter a floresta em pé.
“Essas iniciativas de produzir com responsabilidade e de forma sustentável são um modelo que a gente está propondo para a Amazônia”, afirma o cacique geral Almir Suruí no documentário.
Mais do que retratar experiências locais, o curta reforça que a proteção da Amazônia é estratégica para o equilíbrio climático global. O bioma abriga mais de 10% da biodiversidade terrestre do planeta, influencia o regime de chuvas em toda a América do Sul e armazena entre 250 e 300 bilhões de toneladas de carbono. No entanto, cientistas alertam que partes da floresta já apresentam sinais de ruptura ecológica.
O tema dialoga diretamente com o curta documental anterior do WWF-Brasil, Ponto de Não Retorno da Amazônia, premiado no Concurso de Filmes Yale Environment 360 de 2025, que alerta para o risco de a Amazônia atingir um estágio irreversível de degradação, perdendo sua capacidade natural de regeneração e passando a emitir mais carbono do que absorver.
Se o documentário anterior evidenciava os impactos devastadores da destruição ambiental, Ponto de Virada da Amazônia direciona o olhar para soluções concretas capazes de evitar esse cenário.
Entre os entrevistados do novo curta estão Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, e Ivaneide Bandeira Cardozo, cofundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé. Ambos reforçam que povos indígenas e comunidades tradicionais desempenham papel fundamental na proteção do bioma e no enfrentamento da crise climática.
O documentário também destaca dados do estudo Nova Economia da Amazônia, segundo o qual investimentos em bioeconomia e conservação podem gerar até 833 mil novos empregos e mais de R$ 40 bilhões anuais para o PIB da Amazônia Legal até 2050, além de reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.
Ao conectar conhecimento ancestral, ciência e soluções econômicas sustentáveis, Ponto de Virada da Amazônia reforça uma mensagem central: a floresta em pé vale mais do que destruída – ambiental, social e economicamente.
“A maior economia está na floresta em pé. A maior economia está na vida garantida. A maior economia é a economia de um futuro habitável também”, destaca Txai Suruí no filme. “E que dá para produzir. Mas também proteger.”
Em um momento em que a Amazônia se aproxima de limites críticos, o curta evidencia que proteger o bioma não é apenas uma questão ambiental, mas uma decisão essencial para o futuro climático, econômico e humano do planeta.
Assista aos dois curtas documentais
Ponto de Virada da Amazônia
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Ponto de Não Retorno de Amazônia
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