Natureza

Natureza
MORMAÇO


A tarde desfaz seus laços nos vãos dos últimos raios de sol. Já eu, noturna, vago, por esse espaço, de amarela cor e quente mormaço.

EQUÍVOCOS


A flor do deserto no meio da chuva, encharcada. Eu, deserto, na chuva, molhada. Ambas estamos, irremediavelmente, deslocadas…

MOVÊNCIA


Longe, o barulho do mar, canção repetida, nervosa, sempre a soar. O vai e vem das ondas e o vento frio no ar são como folhas de coqueiro na areia da praia: não param de balançar.

SONORA


Pelo vidro da janela, vejo a chuva que cai lá fora. O som da água é música para meus ouvidos, é canção de ninar que embala a saudade de um tempo bom que não tenho mais.

CONTRAMÃO


Lá longe, o barulho do mar. Aqui perto, o canto de pássaros. Aos poucos, o dia acorda e a noite se vai. Tudo parece tão normal! Só que não…

DAS PEDRAS


(A Pocinhos – Paraíba) As pedras inóspitas cercam a cidade e refletem a luz do sol que brilha no céu de anil. Às vezes, o vento nem sopra, assim como a chuva não cai na terra árida e estéril. Eu tenho orgulho de ser desse lugar, que fica engastado, como joia rara, num cantinho quente e seco desse meu Brasil.

NOTA


Poemas incluídos no capítulo NATUREZA, do livro “Entre Parênteses – Poemas” (Ed. Da Autora), de Marineuma de Oliveira, com participação, em áudio, do grupo Poética Evocare.
Clique na imagem ao lado para acessar episódios completos do podcast homônimo, já publicados em plataformas de streaming (Link)