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Idade do Ferro II: Que tal queimar ferro em vez de petróleo?

Idade do Ferro II: Que tal queimar ferro em vez de petróleo?

Julia Schuler e uma equipe do Instituto Karlsruher de Tecnologia, na Alemanha, apresentaram um plano inusitado para inibir os altos níveis de poluentes e gases de efeito estufa gerados pela queima dos combustíveis fósseis, como aqueles à base de petróleo e carvão.

A ideia é usar o ferro metálico não apenas como fonte de  energia, mas como um portador energético facilmente transportável. Hoje já transportamos bilhões de toneladas de ferro pelo mundo todo, mas consorciar o tradicional metal com fontes de energia eólica em regiões costeiras ou energia solar em áreas desérticas pode fazer a diferença, essencialmente permitindo carregar essa energia renovável para os locais onde ela é mais necessária ou útil.

Para geração de energia, o pó de ferro é queimado, produzindo óxido de ferro, ou seja, ferrugem. Ele pode ser reduzido novamente a ferro em um processo que remove o oxigênio contido na ferrugem, idealmente utilizando hidrogênio produzido usando a eletricidade de fontes renováveis.

O pó de ferro pode então ser reutilizado. É uma vantagem enorme tanto em termos de custos quanto de clima, já que ninguém consegue reverter a fuligem do petróleo ou do carvão novamente em combustível usável.

“A coisa funciona em um ciclo que não emite dióxido de carbono nem substâncias nocivas ao meio ambiente,” destaca Schuler.

Idade do Ferro II: Que tal queimar ferro em vez de petróleo?

Conceito do uso de pó de ferro como combustível, inserido na cadeia de produção de hidrogênio verde.
[Imagem: Julia Schuler et al. – 10.1016/j.checir.2026.100047]

Combustão do ferro

Quando queimado, o pó de ferro se comporta de maneira muito semelhante ao carvão. “Queríamos descobrir se seria possível adaptar usinas termelétricas a carvão existentes para a queima de ferro,” disse Schuler.

A pesquisadora mostrou que as modificações necessárias para queimar ferro em vez de carvão se concentram sobretudo no gerador de calor. Os demais componentes, incluindo o ciclo de vapor, as turbinas, o gerador e a conexão à rede elétrica, tudo pode continuar sendo utilizado como nas termoelétricas atuais.

O ferro é particularmente adequado como material para armazenamento de energia a longo prazo. Em pó, ele é comparativamente fácil de armazenar e transportar, enquanto o hidrogênio, por outro lado, vai requerer uma rede de gasodutos, terminais de importação e instalações de armazenamento subterrâneo.

Assim, o uso de pó de ferro poderia permitir que a energia renovável fosse transportada globalmente com menor investimento em infraestrutura. “O ferro pode desempenhar um papel muito especial, mas economicamente significativo, para alcançar a neutralidade climática e para tornar as energias renováveis disponíveis de forma confiável,” disse Schuler.

Mas, se uma nova Idade do Ferro realmente vai emergir vai depender em grande parte da complexidade de modernizar as usinas de energia existentes e da eficiência com que o óxido de ferro poderá ser reduzido a ferro novamente. A ideia da pesquisadora é que o excedente de eletricidade das fontes renováveis possa ser usado para a conversão do pó de ferro em instalações de redução locais, produzindo uma fonte de energia armazenável, eventualmente até mesmo em uma etapa intermediária da produção de hidrogênio.

Bibliografia:

Artigo: A new iron age? The potential role of iron fuel in Europes clean energy transition
Autores: Julia Schuler, Armin Ardone, Viktor Slednev, Wolf Fichtner
Revista: Chem Circularity
DOI: 10.1016/j.checir.2026.100047