Garrafas que iam para o lixo viram bonecas nas mãos de artesã

Garrafas que iam para o lixo viram bonecas nas mãos de artesã

Cléo Borges sempre se sentiu incomodada com o descarte inadequado de objetos

O incômodo com a quantidade de lixo descartado diariamente e a criatividade de uma empresária e artesã fizeram surgir as “Princesas Negras”, bonecas confeccionadas a partir de garrafas que seriam descartadas.

A mãe das princesas, que já somam mais de 200, é Cléo Borges, 53 anos. Ela, que tem uma loja de aromatizantes, dividiu o espaço do comércio para abrigar também as princesas – como gosta de chamar as peças.

“Comecei a fazer e me apaixonei”, relata a artista, em entrevista ao MidiaNews.

A prática de dar novas utilidades para itens que seriam jogados fora sempre esteve na rotina de Cléo. “Tudo que vai para o lixo tem uma utilidade”, comenta.

Agora, ela transforma garrafas descartadas em obras de arte.

Apesar da ação parecer pequena, ela já ajuda no processo de desaceleração da produção de lixo que aumenta a cada ano.

Segundo os dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, a geração de resíduos saiu de 66,7 milhões de toneladas em 2010 para 79,1 milhões em 2019. Diferença de mais de 12 milhões de toneladas.

A maior parte desse lixo não é reciclado e vai parar em lixões. Em Mato Grosso, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), das unidades de destino final do lixo, 66,27% são lixões, 8,43% são aterros sanitários e 7,23% são aterros controlados.

Relação com o meio ambiente

“Sempre me incomodou tudo que vai para o lixo”, afirma. Cléo diz que sempre pegou objetos que iriam para o lixo e dava uma nova utilidade para a peça.

Segundo a mãe das Princesas Negras, o filho dela tinha um bar e a cada dois minutos alguém consumia algum item que logo descartava. “Eu ficava pensando: Isso vai passando de geração para geração”, afirma.

Sempre insatisfeita com o descarte rápido dos materiais, ela pegava e arrumava uma nova utilidade para os itens.

Foi catando garrafas e testando a fabricação de peças a partir do plástico que ela chegou até as bonecas.

Princesas negras

Ela diz que começou a fazer tantas bonecas que já não tinha mais lugar para guardar as peças em casa. Então, levou para a loja e lá as princesas ganharam uma sessão separada.

No entanto, Cléo não pensava em vender, já que não se considerava artesã. “Uma amiga minha disse que virei acumuladora, aí veio a ideia de vender”.

A amiga viu as princesas e também ficou encantada. Foi a partir dessa visita que ela deu uma força para Cleo começar a vender e divulgar as bonecas.

A mãe das princesas foi convidada a expor as peças em um evento no Cine Teatro de Cuiabá. O convite veio porque as bonecas representam duas questões que os organizadores disseram ser forte do momento: combate ao racismo e defesa do meio ambiente.

Segundo a criadora, ela não pensou em fazer as princesas de outra cor. “Eu sempre fiz princesas negras, mulheres fortes, guerreiras”.

O valor do modelo grande é R$ 80 e a pequena é R$ 60.

A compra pode ser feita na loja física, localizada na Rua 13 de Junho, nº 1609, ou encomendada pelo Instagram @cleo_borges_artesanatos.