Fêmeas de beija-flor se disfarçam de machos para evitar agressão

Fêmeas de beija-flor se disfarçam de machos para evitar agressão

A espécie de beija-flor Florisuga mellivora vive na América Latina, do México ao Brasil. Nestes pássaros, os machos têm uma coloração vibrante azul, enquanto as fêmeas têm cores mais discretas. Contudo, pesquisadores descobriram que algumas das fêmeas desta espécie se disfarçam de machos para evitar agressões.

Após realizar a sexagem de 401 beija-flores da espécie, no Panamá, pesquisadores descobriram que todas as fêmeas mais jovens (em idade não-reprodutiva) possuem cores que imitam as dos machos adultos. Já em idade reprodutiva, em torno de 20% das fêmeas mantém a coloração para o resto da vida, como relata a pesquisa.

Imagem: Jay J. Falk et al. / Current Biology 2021

Além do mais, os pesquisadores criaram modelos empalhados deste beija-flor, ambos machos e fêmeas. Após observações em flores e alimentadores, os autores concluíram que os machos agrediam e atacavam muito mais as fêmeas com cores mais discretas, competindo pelo alimento.

Já as fêmeas juvenis e adultas que imitavam a coloração de machos acabavam sendo menos perseguidas por eles Em um monitoramento de visitas aos comedouros, com mais de 80.000 eventos ao longo de nove meses, os pesquisadores também registraram que as fêmeas de beija-flor que se disfarçavam de machos acabavam se alimentando mais frequentemente e por mais tempo.

Contradizendo a seleção sexual do beija-flor

A grande maioria das espécies de aves possuem um dimorfismo sexual bastante evidente. Ou seja, machos e fêmeas têm diferenças anatômicas e ornamentais a plena vista (vide o pavão, por exemplo). Até o momento, acredita-se que isso acontece por meio de seleção sexual.

Ou seja, cores mais vibrantes, em geral nos machos, acabam aumentando a chance de reprodução. Basicamente, as fêmeas selecionam um parceiro para acasalar de acordo com essas características.

Imagem: Momentmal / Pixabay

Todavia, a imitação que as fêmeas deste beija-flor fazem não têm qualquer relação com a seleção sexual, já que a maioria delas nem sequer entrou em fases reprodutivas. Assim, os autores caracterizam o evento como uma “seleção social não-sexual”. Portanto, o comportamento social influencia esta característica ao invés da reprodução.

Ainda vale ressaltar que não se sabe como as fêmeas adquirem essa característica, seja por fatores ambientais ou genéticos. Fato é que um beija-flor precisa de muita energia para se manter vivo. Assim, uma fêmea que tenha tal vantagem para alimentação pode ter mais benefícios do que pela reprodução. Prioridades.