Falha no combate às mudanças climáticas é maior risco global, alerta relatório

Falha no combate às mudanças climáticas é maior risco global, alerta relatório

Relatório faz um apelo para que os líderes mundiais colaborem entre si e atuem de forma coordenada a fim de enfrentar este e outros desafios que ameaçam a estabilidade do mundo

Cada vez mais, dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo sentem os impactos crescentes e destrutivos de extremos climáticos, como enchentes, secas e furacões. O saldo econômico negativo atinge cifras vultosas diante da paralisia de negócios e até de cidades inteiras, enquanto os danos materiais e as irreversíveis perdas humanas se mostram igualmente caros e dolorosos.

Atento ao ritmo preocupante dos eventos ligados à crise climática e suas consequências dramáticas, o Fórum Econômico Mundial classificou a “inação” dos governos mundiais frente ao problema como a ameaça número um para o mundo no médio e longo prazo e o risco com maior potencial de gerar impactos globais severos nos próximos 10 anos.

Entre os riscos ao cenário mundial no curto prazo, o relatório divulgado nesta terça-feira destaca os eventos climáticos extremos, as divisões sociais, as crises de subsistência e a deterioração da saúde mental. Segundo o Relatório de Riscos Globais 2022, a maioria dos especialistas acredita que a recuperação econômica global será volátil e desigual ao longo dos próximos três anos, o que pode aumentar a diferença de renda global e resultar em mais tensões.

Por isso, o relatório faz um apelo para que os líderes mundiais colaborem entre si e atuem de forma coordenada a fim de enfrentar esses desafios. A união, segundo o Fórum, é fundamental para o mundo afastar o risco dos impactos em cascata da pandemia de Covid-19 e fortalecer respostas conjuntas aos desafios e seus impactos sociais, ambientais e geopolíticos. O relatório foi desenvolvido em colaboração com as consultorias Marsh McLennan, SK Group e Zurich Insurance Group, e pesquisadores da Universidade de Oxford, da Universidade Nacional de Cingapura da Universidade da Pensilvânia.

Em comunicado, Peter Giger, diretor de risco do grupo Zurich, destaca que a falta de ação diante da crise climática pode reduzir o PIB global em um sexto e que os compromissos assumidos na COP26, a reunião de clima da ONU que ocorreu em novembro do ano passado, ainda não são suficientes para evitar um aumento da temperatura média mundial acima de 1,5 °C até o final deste século, como prevê o Acordo de Paris. “Não é tarde demais para governos e empresas agirem sobre os riscos que enfrentam e conduzirem uma transição inovadora, determinada e inclusiva que proteja economias e pessoas”, pondera.