Empreendedora de Joinville fatura R$ 5 mil com bolsas feitas de teclados e retalhos de jeans
Com investimento inicial de R$ 4,5 mil, a marca catarinense aposta na moda circular e na exclusividade para transformar descartes em acessórios que custam até R$ 490
A designer Kayka Couto, transformou um hobby de costura em um negócio de moda autoral e sustentável em Joinville, Santa Catarina. À frente da marca Kuhra, a empreendedora investiu R$ 4,5 mil para estruturar a produção de bolsas feitas a partir de matérias-primas que seriam descartadas, como teclados de computador estragados e retalhos de jeans. Hoje, com peças que variam entre R$ 219 e R$ 490, Couto alcançou um faturamento mensal de R$ 5 mil, produzindo cerca de 20 unidades por mês sob demanda.
A trajetória de Couto no empreendedorismo começou de forma despretensiosa, quando ela ainda trabalhava em um escritório e decidiu cursar costura. O interesse pelo universo dos acessórios surgiu logo na primeira aula, ao desenvolver uma pochete de pelos. “O desenvolvimento de uma peça de bolsa eu achei muito mais interessante do que fazer roupa”, afirma. A transição para o uso de materiais recicláveis foi natural, começando pelo próprio guarda-roupa.
Ao perceber o potencial artístico de tecidos usados, a empreendedora passou a experimentar intervenções visuais. “Quando você pega um jeans, por exemplo, você pode rasgar, colocar um por cima do outro ou cortar para a parte de dentro aparecer. Tem todo um trabalho artístico nesses tecidos”, explica Couto. O diferencial competitivo da marca, no entanto, veio com a incorporação de itens inusitados de hardware.
Um dos carros-chefe da produção são as bolsas que levam teclas de computadores que perderam a utilidade técnica. Para Couto, a proposta é aumentar o tempo de vida de objetos que iriam para o lixo.
“Você pega esse teclado e aumenta o tempo de vida dele. Ele passa agora a ser uma bolsa com as teclinhas ali. Na realidade, não existe o certo e o errado; existe aquilo que no teu olhar vai funcionar”, diz.
Atualmente, a designer gerencia todas as etapas da empresa, desde o garimpo de materiais e compras até a confecção e venda. O desafio agora é equilibrar o lado criativo com a gestão do negócio. “Eu já entendi mais ou menos o que preciso fazer para juntar a criatividade, o lado artístico e o empreendedorismo. Parece fácil, mas não é. Para quem é uma pessoa criativa, às vezes fica um pouco bagunçado porque a nossa mente não para”, conta.
Para o futuro, Couto planeja estruturar o ateliê para aumentar a capacidade produtiva. “O artesanal hoje está muito em alta, porque de fato é o novo luxo. As pessoas querem algo diferente, feito à mão, feito para elas”, conclui a empreendedora.
Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:
