Em 10 anos, a Índia plantou milhões de árvores e recuperou área vegetal equivalente ao território de Sergipe
O crescimento da cobertura florestal indiana representa uma das maiores expansões entre grandes potências na última década
AÍndia teria ganhado cerca de 2,1 milhões de novos hectares de florestas tropicais secas (bioma típico de climas quentes) em uma década (de 2014 a 2024), segundo um estudo conduzido por pesquisadores associados ao Global Development Institute, da Universidade de Manchester, no Reino Unido. As florestas tropicais secas costumam ocorrer em regiões marcadas por chuvas sazonais e longos períodos de estiagem.
Em 2017, o país já havia batido seu próprio recorde de plantio de árvores em campanha nacional com o auxílio de cidadãos voluntários.
Foram 20 espécies diferentes de mudas plantadas, e um total de 66 milhões de novos plantios em apenas 12 horas. As mudas foram depositadas ao longo do rio sagrado de Narmada, no estado de Madhya Pradesh, um dos principais cursos d’água da Índia e o rio mais longo do país, com mais de 1.300 km de extensão.
O crescimento da cobertura florestal indiana representa uma das maiores expansões entre grandes potências na última década, afirma o estudo, mas há um detalhe: parte dele ocorreu por meio da plantação comercial de árvores para extração madeireira, em sistemas de monocultura.
As árvores das florestas secas são adaptadas a perder folhas ao longo do ano a fim de reduzir a perda de água, especialmente nos estados indianos das regiões central e centro-oeste, entre as planícies.
Segundo o estudo, milhões de pessoas dependem diretamente desses ecossistemas para obtenção de lenha, pastagem, frutos, resinas e outros recursos.
Os pesquisadores analisaram imagens de satélite de alta resolução a fim de determinar o nível de transformação sofrido pelas paisagens ao longo dos últimos anos.
Eles notaram um aumento na cobertura arbórea e diferenças entre as regiões públicas e privadas, onde costumam ocorrer as plantações comerciais de árvores voltadas à indústria.
Segundo a pesquisa, grande parte do ganho de cobertura florestal da Índia parece estar ligada a programas públicos de restauração ecológica, como a iniciativa Green India Mission, lançada pelo governo indiano como parte de sua estratégia climática para ampliar sumidouros de carbono; um fundo voltado à compensação ambiental de florestas convertidas para obras de infraestrutura ou mineração; e o programa nacional de reflorestamento, parte do compromisso assumido pelo país no Acordo de Paris para recuperar áreas degradadas e aumentar a cobertura florestal em regiões críticas.
Dentro de áreas florestais públicas, o ganho de cobertura arbórea parece estar associado principalmente à restauração e à regeneração natural assistida. No entanto, no caso das terras agrícolas, embora a cobertura também tenha aumentado, isso foi relacionado ao plantio de madeira para fins comerciais e às agroflorestas intensivas em monocultura (como os cultivos de eucalipto, seringueira e acácia).
Apesar de contribuírem como sumidouros de carbono, esses sistemas intensivos têm graves limitações ecológicas e não necessariamente sinalizam maior biodiversidade a longo prazo.
De acordo com o estudo, é preciso distinguir entre cobertura arbórea e recuperação florestal: enquanto a primeira mede o aumento da presença de árvores em determinada área, a segunda está associada à reconstrução ambiental em termos de flora e fauna nativas.
Plantações comerciais, por sua vez, tendem a apresentar menor resiliência a extremos climáticos, baixa diversidade de espécies e ecologia deficiente (o que inclui menor oferta de habitats para polinizadores e de corredores ecológicos para a evolução das espécies).
