Anchor Deezer Spotify

A tumba radioativa está se rachando e ameaça liberar 120 mil toneladas de resíduos nucleares no oceano pacífico

A tumba radioativa está se rachando e ameaça liberar 120 mil toneladas de resíduos nucleares no oceano pacífico

A estrutura conhecida como Runit Dome, apelidada de “Túmulo”, voltou a preocupar cientistas por apresentar rachaduras e sinais de deterioração. Localizada na Ilha Runit, no Atol de Enewetak, nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, ela foi construída pelos Estados Unidos entre 1977 e 1980 para armazenar resíduos contaminados pelos testes nucleares realizados na região durante a Guerra Fria.

Sob a cúpula de concreto estão armazenadas mais de 120 mil toneladas de solo contaminado, destroços e materiais radioativos, incluindo plutônio-239, um elemento que pode permanecer perigoso por mais de 24 mil anos. O problema é que a estrutura foi construída sobre um antigo cratera de explosão nuclear sem um revestimento impermeável na base, permitindo a circulação de água subterrânea por baixo da cúpula.

Pesquisadores alertam que o aumento do nível do mar, a erosão costeira e tempestades cada vez mais intensas podem comprometer ainda mais a integridade da estrutura. Estudos recentes identificaram rachaduras visíveis e níveis elevados de radioatividade em amostras de solo próximas ao domo. Apesar disso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos afirma que, até o momento, não há evidências de um colapso iminente e que grande parte da contaminação existente na lagoa é resultado direto dos testes nucleares realizados entre 1946 e 1958.

A preocupação maior é com o futuro. Caso a deterioração avance, materiais radioativos podem ser transportados pela água para a lagoa e outras áreas do Pacífico, afetando ecossistemas marinhos e comunidades das Ilhas Marshall que dependem da pesca para sobreviver. Especialistas defendem monitoramento permanente e medidas de reforço na estrutura para reduzir os riscos ambientais nas próximas décadas.