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Climatempo lança ferramenta para prever potencial de geração de energia eólica, solar e hídrica

Climatempo lança ferramenta para prever potencial de geração de energia eólica, solar e hídrica

Plataforma combina previsões meteorológicas e estimativas por usina para auxiliar o planejamento energético, a programação de manutenções e a segurança das equipes em campo

A previsão do tempo pode ajudar a definir não apenas quando vai chover ou ventar, mas também quanto uma usina de energia renovável poderá produzir e quais são os períodos mais adequados para realizar manutenções. Com essa proposta, a Climatempo lançará um dashboard de previsão de potencial de geração de energia renovável durante a Brazil Windpower 2026, evento do setor eólico que acontece de 27 a 29 de outubro, em São Paulo.

A ferramenta reúne estimativas de geração e informações meteorológicas para ativos de energia eólica, solar e hídrica. O objetivo é apoiar empresas no planejamento da produção, na avaliação de riscos operacionais e na programação de atividades de operação e manutenção.

A solução amplia as funcionalidades do Sistema de Monitoramento e Alerta da Climatempo (SMAC), plataforma que acompanha condições meteorológicas em áreas de interesse das empresas e emite alertas sobre situações como rajadas de vento, chuva acumulada e proximidade de raios.

Com o novo dashboard, a companhia pretende aproximar as previsões meteorológicas das decisões operacionais de cada usina, considerando tanto as condições que influenciam a geração quanto aquelas que podem representar riscos para os profissionais em campo.

“A previsão de geração aproxima a informação meteorológica das decisões tomadas em cada ativo. O novo dashboard permite avaliar quanto uma usina tende a produzir e identificar períodos mais adequados para a manutenção, considerando tanto o potencial de geração quanto a segurança das equipes em campo”, afirma Marcely Sondermann, doutora em Meteorologia da Climatempo.

Previsões por usina e comparação de dados

A plataforma permite cadastrar ativos por tipo e localização, visualizá-los em um mapa interativo e consultar previsões para diferentes variáveis, modelos meteorológicos e períodos de agregação. Os usuários também podem comparar o histórico observado com rodadas anteriores de previsão e exportar dados dos gráficos para planilhas do Excel. As estimativas de geração são calculadas com base nas previsões meteorológicas e nos dados históricos da localidade selecionada.

Para realizar os cálculos, a solução utiliza o Climatempo Wise Weather (CT2W), modelo proprietário de previsão meteorológica da empresa, com correção estatística por parque. O módulo também permite comparar diferentes modelos meteorológicos.

Na prática, as informações podem auxiliar as equipes de planejamento energético a antecipar cenários de produção e avaliar o risco de não atingir as metas previstas. Já os profissionais responsáveis pela operação e manutenção podem identificar períodos de menor potencial de geração e considerar as condições meteorológicas para programar intervenções.

A ferramenta não elimina as incertezas inerentes às previsões meteorológicas, mas oferece informações adicionais para embasar decisões sobre o funcionamento das usinas.

“Ao acompanhar a previsão de cada ativo e comparar as estimativas com os dados observados, as equipes ganham mais elementos para rever prioridades e planejar ações”, diz Sondermann. Segundo a especialista, a proposta é ajudar a aproveitar o potencial das usinas e reduzir o impacto das intervenções de manutenção sobre a geração.

El Niño e os desafios para o setor energético

O lançamento ocorre em um contexto de atenção às relações entre as condições climáticas e a produção de energia. Fenômenos como o El Niño podem alterar padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica, com efeitos que variam de acordo com a região e o período.

Essas alterações podem representar desafios para diferentes fontes renováveis. Na geração hidrelétrica, por exemplo, a disponibilidade de água depende das condições hidrológicas. Na geração eólica, as características dos ventos influenciam a produção, enquanto a geração solar está relacionada, entre outros fatores, à disponibilidade de radiação solar e à nebulosidade.

Os efeitos não são iguais em todas as regiões, e a avaliação das condições meteorológicas de cada localidade é importante para o planejamento do sistema elétrico.

Esse será um dos temas discutidos na Brazil Windpower 2026. Marcely Sondermann participará do painel “El Niño e os impactos diretos e indiretos no setor”, marcado para 28 de outubro, às 14h, no Palco O&M e Cadeia de Serviços – Novas Tecnologias. A sessão será moderada por Mauricio Godoi, do Canal Energia, e contará também com Rafael Barros de Castro Pereira Pinto, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); Marcos Farinha, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Rodrigo Azambuja, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); e Pedro Kurbhi, da Comerc.

A discussão deverá abordar a importância de incorporar informações meteorológicas e climáticas ao planejamento energético, levando em conta os riscos e as oportunidades associados às condições de cada região.