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Cerca de 1.700 municípios brasileiros já estão sob risco alto ou muito alto de falta de água

Cerca de 1.700 municípios brasileiros já estão sob risco alto ou muito alto de falta de água

A escassez hídrica é um risco relevante para quase um terço dos municípios brasileiros. Dos 5.569 municípios analisados, 1.699 estão classificados com risco alto ou muito alto de sofrer impactos relacionados à falta de água durante períodos de seca.

O número representa 30,5% dos municípios do país e foi levantado pelo Observatório do Clima a partir de dados do AdaptaBrasil, plataforma do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O problema é especialmente grave no Nordeste. Todos os 15 municípios classificados na faixa de risco muito alto estão na região. Mas cidades em todas as regiões brasileiras aparecem entre aquelas de risco elevado.

O índice não considera apenas quanto chove. O AdaptaBrasil combina três componentes: ameaça, exposição e vulnerabilidade.

Isso ajuda a explicar por que municípios com condições climáticas muito diferentes podem apresentar riscos semelhantes. Juazeiro (BA) e Recife (PE) aparecem com os maiores riscos do país: ambos possuem ameaça média, mas vulnerabilidade alta e exposição máxima.

Infraestrutura de abastecimento, reservatórios, alternativas disponíveis e capacidade de gestão podem, portanto, aumentar ou reduzir os impactos de uma estiagem.

As mudanças climáticas acrescentam outra camada ao problema ao modificar os padrões de chuva, intensificar secas e aumentar a ocorrência de extremos.

Os dados municipais analisados têm 2020 como ano de referência, e o AdaptaBrasil vem sendo atualizado com novas bases e modelagens. A plataforma também não funciona como um sistema de alerta de falta de água imediata: seu objetivo é antecipar riscos e orientar políticas de adaptação.

Entre as possíveis respostas estão ampliar reservatórios e cisternas, buscar novas fontes de abastecimento, melhorar a gestão hídrica e preparar os municípios para um clima diferente daquele observado nas últimas décadas.

A mensagem dos pesquisadores é clara: o planejamento da água para o futuro não pode mais se basear apenas no clima do passado.