Veja como as “ventosas” funcionam e por que tantos atletas olímpicos fazem a terapia

Você provavelmente já deve ter notado vários círculos avermelhados no corpo de vários atletas durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 – isso inclui o nadador norte-americano Michael Phelps. Mas, ao contrário do que se pensa por aí, ele não dormiu em cima das próprias medalhas, as marcas são o resultado de uma terapia praticada há milhares de anos em toda a Ásia.

Chamada de “cupping” ou de “ventosaterapia”, ela é tão popular na China que vendedores ambulantes a realizam nas ruas da província de Yunnan, segundo informações da Associated Press. Os proponentes da técnica acreditam que ela é capaz de melhorar o fluxo sanguíneo e ajudar com dores, incluindo problemas nas costas. No entanto, a Ciência moderna ainda não foi capaz de confirmar seus benefícios – além de um efeito placebo.

cupping-tecnica-de-ventosasEstudos têm documentado os benefícios do efeito placebo. Pessoas que pensavam ter tomado cafeína ou morfina apresentaram redução em sintomas de fadiga ou dor, mesmo tendo sido medicadas apenas com pílulas de açúcar, segundo informações de Kevin Loria da Business Insider.

A terapia de cupping pode ser realizada de diferentes maneiras. Tradicionalmente, pequenos copos (de vidro) quentes são colocados sobre a pele, e conforme o ar quente esfria, forma-se um vácuo. Os copos também podem estar ligados a bombas de sucção, que criam os vergões vermelhos na região do corpo onde forem colocados. O tratamento não é necessariamente indolor. De acordo com a repórter Hannah Hope, do jornal Mirror, “parece que uma parte da pele é sugada por um aspirador de pó”.

Acredita-se que a terapia possa mobilizar o fluxo sanguíneo para a pele. De acordo com o cientista Romy Lauche, da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, “os estudos são muito preliminares e não podemos dizer que provamos a eficácia do tratamento”, disse em uma entrevista ao Wall Street Journal, em 2012.

Em um estudo publicado em 2012 pela PLos One, que analisou 135 ensaios de 1992 a 2010 sobre a terapia, cientistas constataram que o cupping “tem potencial efeito no tratamento de herpes zoster e outras condições específicas”, mas que eram necessários “mais ensaios rigorosamente projetados sobre sua utilização” para garantir a eficácia em outras condições.

cupping-tecnica-de-ventosas_01É comum que os atletas tentem novos tratamentos – mesmo não comprovados – para aliviar dores. Em 2009, alguns deles começaram a utilizar pulseiras de cobre na esperança de melhorar o desempenho em alguns esportes. Já entre 2008 e 2012, atletas olímpicos foram vistos utilizando adesivos brilhantes – conhecidos como fita de Kinesio – nos ombros, costas, abdômen e quadril. Ela teria sido desenvolvida há mais de 30 anos pelo quiroprata japonês Kenzo Kase, e prometia reduzir as dores dos músculos sem restringir os movimentos.

Contudo, conforme observado por Loria, a vantagem produzida pelo método dever ser vista como unicamente psicológica “a confiança que vem com o efeito [placebo] pode ser tudo o que alguém precisa para lançar um dardo mais distante do que o seu adversário ou arremessar uma bola de vôlei com maior eficácia”.

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