Três perguntas para Osmar Malaspina

Osmar Malaspina é professor do Departamento de Biologia e pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências, da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Por Luciana Morais

A mortandade de abelhas ameaça lavouras que dependem delas para a sua polinização, como a do maracujá. Há outras culturas que também podem ser comprometidas?

No caso do maracujá, sim. Essa cultura é dependente da polinização por abelhas conhecidas como mamangavas. Se elas desaparecerem, a polinização terá de ser feita manualmente, o que acarretará um expressivo aumento dos custos de produção. No Brasil, temos várias culturas totalmente dependentes da polinização por abelhas. Vou citar três delas: melão, maçã e castanha-do-pará. Se não tivermos abelhas para polinizá-las, não teremos como seguir produzindo.

O modo de aplicação do agrotóxico – como a pulverização feita por aviões, por exemplo – aumenta o risco de contaminação das colmeias?

Sim. A pulverização aérea pode provocar um fenômeno conhecido como deriva, no qual o agrotóxico é levado pelo vento e atinge áreas maiores que as desejadas, como as matas ou fragmentos florestais. Normalmente, é nessas matas que as abelhas fazem seus ninhos e os apicultores colocam seus apiários. Assim, a presença de agrotóxicos acaba causando mortalidades. A aplicação de inseticidas durante o período de floração das culturas também é prejudicial. Com as flores abertas, as abelhas vão coletar néctar ou pólen e acabam absorvendo os resíduos de inseticidas ali depositados. Elas levam esses resíduos para o interior dos ninhos, causando a morte das crias e contaminando produtos como o mel.

Qual é o caminho para que se restabeleça o equilíbrio entre oferta de alimentos/produtividade das lavouras/controle de pragas e a conservação das colmeias?

A definição de políticas públicas e privadas mais rigorosas, visando às boas práticas de aplicação e manejo do sistema agroflorestal. O objetivo maior tem de ser a criação de um sistema de convivência sustentável entre as atividades agrícolas e o meio ambiente, principalmente os polinizadores.  Também considero fundamental a participação do Ibama nesse processo e no apoio à construção de agendas positivas destinadas à proteção dos polinizadores.

Fonte: Revista Ecológico

 

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