Todo ano, milhões de aves são mortas pela ganância humana no Mediterrâneo

Todo ano no entorno do Mediterrâneo, entre 11 e 36 milhões de aves silvestres de mais de 450 espécies diferentes estão sendo mortas ou retiradas do meio selvagem, das quais muitas estão em migração.

Os maiores transgressores são Chipre, Egito, Itália, Líbano e Síria, com cada um matando mais de dois milhões de pássaros anualmente. Um novo relatório da organização de preservação BirdLife International identifica três localizações – a área de Famagusta, na parte turca de Chipre, a área da represa Menbej-Tishreen, na Síria, e a área de El Manzala no Egito – onde mais de meio milhão de aves são mortas ou capturadas a cada ano.

De acordo com o relatório, a forma mais comum de matar os pássaros é atirando. Para capturar com armadilhas, no entanto, os caçadores são mais criativos e usam várias armadilhas vivas, a mais famosa entre elas são as redes de neblina. Normalmente elas são feitas de fios de nylon que são dispostos entre duas árvores e se tornam completamente invisíveis para os pássaros, que ao atingir as redes ficam enredadas e não conseguem escapar.

Outro método popular de captura são os galhos de visco, ramos cobertos com um látex extremamente pegajoso feito com a fervura de frutas maduras ou a partir da seiva de certas árvores. Eles raramente matam a ave instantaneamente, ao invés disso, o animal sofre até que o caçador venha retirá-lo.

Estes galhos são colocados em arbustos para criar poleiros muito atraentes para as aves. Qualquer ave que pousar em um galho de visco ficam presas, caem de cabeça para baixo e, conforme ela se debate para se libertar, fica cada vez mais e mais presa ao galho.

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Embora a produção, a venda e a posse de galhos de visco sejam ilegais no Chipre desde 1974, sua utilização ainda é difundida. Este método é tradicional do país e data de vários séculos atrás. No passado, as pessoas com insegurança alimentar usavam o mesmo para suplementar sua dieta precária.

No entanto, como o padrão de vida do Chipre melhorou, os 2,3 milhões de aves capturadas anualmente são, na maioria, usadas para lucros ilícitos e sem impostos, obtidos a partir do fornecimento para os restaurantes locais com refeições à base de pássaros, como o prato popular do Chipre, Ambelopoulia.

Apesar disso, o Chipre não é o único país desenvolvido que vê os pássaros como uma iguaria. A Itália, com mais de 5,6 milhões de aves mortas a cada ano, sobe ao topo do gráfico como o maior infrator da União Europeia. O país é o segundo, atrás apenas do Egito, no estudo geral sobre a região do Mediterrâneo, onde aproximadamente 5,7 milhões de aves morrem anualmente.

Toda esta atividade tem cobrado sua parte em relação a população de aves europeia, com mais de 40 espécies de aves que, outrora eram abundantes na região, atualmente em declínio. A população total de rolas europeia diminuiu em torno de 30 por cento desde o início do milênio, e em alguns países, o número é próximo de 90 por cento.

Os conservacionistas afirmam que o objetivo de sua pesquisa é destacar a necessidade de um melhor monitoramento e apoiar o desenvolvimento de uma abordagem mais coordenada pela região e além dela. Eles também comentam que garantir a sustentabilidade das populações de aves no Mediterrâneo exige um conhecimento maior, uma legislação mais eficaz e uma aplicação da lei mais rigorosa.

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