Tartarugas-marinhas são ameaçadas pelo consumo humano em Bali

Elas podem ser vítimas de pescadores no mar, podem ser mortas por caçadores em momentos de vulnerabilidade, como enquanto desovam ou caírem em armadilhas.

A sobrevivência de tartarugas-marinhas na ilha de Bali, na Indonésia, é um drama secular. Durante o dia, as praias paradisíacas da província atraem turistas de todo o mundo, mas quando a noite cai, uma chacina pode sempre estar prestes a ocorrer. Isso acontece porque o consumo de tartarugas como iguaria é um costume da população local.

A vida destes animais está sob ameaça constante. Elas podem ser vítimas de pescadores no mar, podem ser mortas por caçadores em momentos de vulnerabilidade, como enquanto desovam ou caírem em armadilhas. O futuro da espécie, em situação crítica de extinção no local, também enfrenta um momento periclitante, pois os ninhos não são protegidos e os ovos são constantemente esmagados por turistas e veículos ou são roubados para atender demandas do tráfico internacional de animais.

Felizmente, esta realidade desoladora não é indiferente a todos na ilha. Iniciativas solidárias estão realizando ações para proteger as tartarugas e conscientizar a população e os turistas sobre a importância destes animais para a garantia de uma ecossistemas saudável e equilibrado.

I Wayan Wiradnyana, fundador da Bali Sea Turtle Society, alerta que a pesca e a caça de tartarugas para consumo humano é proibida desde 1999, mas a lei nunca foi respeitada. Ele estima que dezenas de milhares de tartarugas foram covardemente mortas nos últimos anos apenas para atender à ganância humana.

A Bali Sea Turtle Society começou a atuar em 2001 e criou uma rede de voluntários que realiza plantões de monitoramento e trabalhos educativos. “A coisa mais importante na questão da preservação é como educar as pessoas. A tartaruga marinha pertence a todos, por isso todos deveriam se responsabilizar por ela”, disse o ativista em entrevista ao The New York Times.

Atualmente a organização identifica ninhos, recolhe ovos e os coloca em berçários protegidos até o momento da soltura. Wiradnyana explica que seis das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo vivem em águas da Indonésia e que todas elas se encontram em situação de vulnerabilidade devido à ação humana.

Ele enumera que além da pesca e caça, há outros fatores que ameaçam estes animais como poluição luminosa, doenças relacionadas à acidificação dos mares e à poluição, além do aquecimento das águas devido a questões climáticas, que prejudicam a reprodução e perpetuação das espécies.

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