Saneamento básico trouxe R$ 146 bilhões de benefício econômico em dez anos
O recente estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a Sabesp avaliou a evolução dos serviços de água e esgoto em um período de dez anos, de 2005 a 2015. O estudo mostra que a expansão do saneamento básico no país, embora ainda muito pequena, teve impacto direto nos setores da saúde, trabalho, imóveis e turismo, o que movimentou R$ 146 bilhões em benefícios sociais e econômicos nesse período.
Quando uma pessoa se ausenta do trabalho por doenças ocasionadas pela falta de saneamento, como a febre tifoide, a cólera, ou agravadas por ela, como as epidemias de zika e dengue, isso tem um custo para a empresa e para o país. Além disso, há também os custos nos hospitais. O estudo mostra que a redução das despesas com internações no SUS decorrentes de infecções gastrointestinais resultou numa economia de R$ 103,3 milhões por ano.
Outro ponto importante é o turismo. Para receber pessoas de diferentes localidades, o país necessita estar minimamente preparado para isso. Quando há um caos na saúde pública, recorrentes epidemias de zika e dengue, por exemplo, e deterioração ambiental, isso afasta os turistas. Quando não há um movimento significativo de pessoas visitando as cidades, consequentemente a economia é prejudicada. A expansão do saneamento permite a revalorização das áreas, a melhora da saúde pública e, assim, impulsiona as atividades de turismo. O mesmo acontece com os imóveis. Há um ganho patrimonial para as famílias que recebem o tratamento de água e esgoto adequado.
Mesmo com tantos ganhos sociais e econômicos, a rede de saneamento básico no Brasil ainda é muito precária. Édison Carlos conta que os investimentos da área estão localizados basicamente em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. “A gente tem 50% do investimento do país em praticamente três estados. Só o estado de São Paulo, por exemplo, representa um terço do investimento de saneamento no país”, afirma.
Para o presidente do Instituto Trata Brasil, a questão do saneamento é ainda muito recente no país visto que a lei de saneamento básico está em vigor há apenas dez anos (desde 2007). Édison Carlos explica que o motivo desse atraso é que “a percepção de que o saneamento é obra enterrada prevaleceu durante muitos anos”. Segundo o estudo, para que todos os brasileiros tenham acesso aos serviços de água e esgoto, seria necessário o investimento de R$ 317 bilhões durante um período de 20 anos. Ou seja, o país precisaria investir no mínimo R$ 16 bilhões anualmente.

