Quimioterapia prejudica pacientes com câncer terminal, diz estudo
Utilizar quimioterapia em pessoas com câncer terminal pode causar mais mal do que bem – é o que aponta um estudo publicado na última quinta-feira (23) pelo Journal of the American Medical Association (JAMA).
O estudo se baseia em um grupo de mais de 300 pacientes com câncer metastático, ou seja, os que têm tumores disseminados para outros órgãos a partir do lugar de aparição original. Cerca da metade dos pacientes receberam quimioterapia, método de tratamento que consiste em usar potentes produtos químicos no corpo para destruir as células cancerígenas e reduzir os tumores. Os efeitos colaterais incluem fraqueza, náuseas, fatiga e queda de cabelo.
A maioria dos pacientes era de homens por volta dos 60 anos, e com apenas quatro meses de perspectiva de vida. O objetivo do estudo era examinar como a quimioterapia afeta a qualidade de vida nessa etapa final, particularmente em relação a suas capacidades de locomoção, realização de atividades e necessidades básicas.
Baseados nas avaliações das pessoas encarregadas de cuidar dos pacientes, que refletiram sobre o sofrimento físico e psíquico em sua última semana de vida, os pesquisadores notaram que a químio não melhorou a qualidade de vida dos pacientes que já tinham uma mobilidade limitada. Os que ainda eram capazes de realizar funções básicas ficaram ainda mais debilitados graças à quimioterapia.
O estudo sugere que “as diretrizes do uso da quimioterapia em pacientes com câncer terminal devem ser revistas para reconhecer os danos potenciais do uso da quimioterapia em pacientes com doença metastática progressiva”. Os autores alertam que o uso da quimioterapia ainda é um importante agente no tratamento da doença, mas que, em certos casos, seu uso deve ser melhor avaliado.
