Polêmica: Projeto de Lei da Segunda Sem Carne chacoalha o Brasil

O que importa não é quanto a indústria pecuária perde com a Segunda Sem Carne, mas quanto a população ganha em termos de saúde, o planeta em termos de proteção ao meio ambiente e os animais em razão do seu direito à vida

Era para ser só mais um PL (Projeto de Lei) em defesa dos animais do deputado estadual Feliciano Filho (PSC) que já tem seis leis aprovadas em SP como o fim das “carrocinhas”, o PL Antipeles, o PL Antitestes em animais e a Nota Fiscal Animal Paulista, dentre outros, mas a Lei da Segunda Sem Carne acabou gerando uma briga ferrenha entre amantes da carne e amantes dos animais nos últimos dias do ano pelas redes sociais. A mídia ficou inundada com o assunto. E a polêmica está longe de acabar!

A indústria pecuária logo reagiu alegando prejuízos financeiros que, aliás, é sua única preocupação lembrando o recente caso do transporte dos 20 mil bois a partir do Porto de Santos em containers onde eles mal podiam se mexer para uma longa viagem pelo mar. É claro que a indústria pecuária e seus discípulos subiriam nas cadeiras para sapatear “Queremos carne todo dia”, ainda que o PL 87/2016 só restrinja o consumo de carne em bares e restaurantes que forneçam refeição em Orgãos e em escolas públicas do Estado.

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Entenda o caso

No centro de uma grande polêmica desde o dia 27 de dezembro, quando teve seu Projeto de Lei da Segunda Sem Carne aprovado na Assembleia Legislativa de SP (Alesp), o deputado estadual Feliciano Filho (PSC) passou os últimos dias recebendo críticas, sendo exaustivamente citado na mídia e também sendo tratado como herói por aqueles que defendem a causa animal.

A Segunda Sem Carne é um movimento surgido em 2003 nos EUA e que tomou força a partir de 2009 com Paul McCartney. Hoje já é adotada em cidades de 44 países, inclusive no ano passado pelo prefeito de Nova York visando combater obesidade nas crianças e contribuir para com o meio ambiente.

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Aliás, cabe aqui a citação de Albert Einstein (Prêmio Nobel de 1921): “Nada irá beneficiar a saúde humana e aumentar as chances de sobrevivência da vida na Terra, tanto quanto a evolução para uma dieta vegetariana”.

Conheça dez grandes motivos para apoiar a Segunda Sem Carne:

1) Mata-se no Brasil todos os anos quase tantos animais quanto o número de pessoas na Terra: São mortos cerca de 70 bilhões de animais em todo o mundo para alimentação humana por ano. Segundo dados do IBGE de 2016, por dia são mortos no Brasil 81 mil bois, 117 mil suínos e 1,5 milhão de aves. São cerca de 6 bilhões de animais abatidos todos os anos no país – quase a população de seres humanos na Terra que hoje está 7,6 bilhões

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2) Sofrimento do nascimento à morte: No site da campanha “Meat Free Mondays” (Segundas Sem Carne), Paul McCartney diz: “Bilhões de animais são criados e mortos a cada ano. A maioria deles é criada em gaiolas, galpões e engradados superlotados. Sem espaço para esticar membros ou asas e sem acesso à luz do dia ou ao ar fresco, esses animais ficam loucos, feridos e morrem devido às condições em que são mantidos. Os animais de criação são submetidos a mutilações, como ter seus bicos cortados, seus dentes arrancados e suas caudas amputadas para impedir que se machuquem mutuamente por conta do tédio e da frustração. Terminam suas vidas com uma morte brutal no matadouro. Comer menos carne é um passo compassivo que ajuda a prevenir a crueldade e o sofrimento”

3) Fome Mundial: Cerca de 800 milhões de pessoas no planeta sofrem de fome ou desnutrição, enquanto uma quantidade de cereais que poderia alimentar três vezes esse número de pessoas é destinada ao gado, criação de porcos, galinhas e outros animais para consumo

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4) Efeito Estufa: A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção pecuária seja responsável por 14,5% das emissões globais de gases de efeito estufa. O gado emite gás metano, 23% mais prejudicial ao meio ambiente que o dióxido de carbono emitido pelos veículos automotivos

5) Doenças cardíacas e vasculares: Estudo realizado pela Universidade de Oxford descobriu que comer carne no máximo três vezes por semana pode prevenir no Reino Unido 31 mil mortes por doença cardíaca, 9 mil mortes por câncer e 5 mil mortes por acidentes vasculares cerebrais

6) Tendência Mundial: A campanha da Segunda Sem Carne foi idealizada em 2003 pelo publicitário Sid Lerner, em associação com a Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, dos EUA. Em 2009 Paul McCartney apresentou ao Reino Unido a Segunda Sem Carne ou “Meat Free Mondays”, o que deu força para que a campanha, ao longo dos anos, atingisse outros 44 países incluindo França, Itália, Austrália, Canadá, Dinamarca e Alemanha. No Brasil a Segunda Sem Carne existe desde 2009 por meio do trabalho da Sociedade Vegetariana Brasileira

7) Exemplo de gestão: O prefeito de Nova York Bill de Blasio anunciou este ano o lançamento da Segunda Sem Carne em 15 escolas do Brooklyn onde serão servidos café da manhã e almoços exclusivamente vegetarianos todas as segundas para cerca de 8 mil alunos. “Nós entendemos que existe uma crise climática e uma crise de obesidade”, disse o prefeito. A Segunda Sem Carne já é praticada em cidades de 44 países incluindo EUA, França, Itália, Austrália, Canadá, Dinamarca e Alemanha

8) Exemplo em SP: Em 2015 a rede de restaurantes do governo paulista Bom Prato passou a fazer parte do movimento Segunda Sem Carne. “As refeições contribuirão para uma melhor saúde dos usuários do Bom Prato, já que as proteínas vegetais como soja, feijões e outros alimentos são vantajosas para evitar diabetes, hipertensão, obesidade e doenças cardiovasculares”, disse na ocasião Camila Campos, nutricionista da Secretaria de Desenvolvimento Social. Um dia a menos de carne, só na rede Bom Prato, significa cerca de seis toneladas a menos, o equivalente a 30 vacas adultas

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9) Poluição do solo e da água: A produção industrial de carne é uma das maiores fontes de poluição do meio ambiente consumindo enorme volume de recursos naturais e energéticos, além de gerar bilhões de toneladas de resíduos tóxicos sólidos, líquidos e gasosos. A produção de 1kg de tomate consome cerca de 200 litros de água e de 1kg de alface, por volta de 230 litros. O consumo de água para a produção de carne é muito maior, pois, além da água diretamente ingerida pelo animal tem a usada na produção de alimentos e a água poluída no processo. É a chamada Pegada Hídrica da pecuária de corte. Um quilo de carne bovina ultrapassa os 15 mil litros de água, sendo que 93% dessa água está embutida na alimentação do gado, 4% é diretamente ingerida e 3% é poluída, principalmente pelos dejetos dos animais

10) O Ministério da Saúde indica vegetarianismo: O “Guia Alimentar” elaborado em prol da população brasileira, publicado em 2006 pelo Ministério da Saúde, faz um alerta sobre o consumo de carne: “No passado, acreditava-se que as crianças e também os adultos fisicamente ativos precisavam consumir alimentação com alto teor de proteína de origem animal. Hoje, sabe-se que não é assim. Uma alimentação rica em proteína animal contém altos teores de gorduras totais e de gorduras saturadas, portanto poderá não ser saudável”.

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