Por uma carne mais saudável e ambientalmente sustentável no Mato Grosso do Sul

Dos 370 km2 da Bacia do Alto Paraguai (BAP) – onde está localizado o Pantanal – aproximadamente 154 mil km2, ou, melhor dizendo, 40% da vegetação nas cabeceiras da Bacia foram postos abaixo para dar lugar ao agronegócio, em especial, a pecuária que segue como forma de uso preponderante há mais de 250 anos, alicerçada na cultura do ‘homem pantaneiro’.

O Mato Grosso do Sul é, por exemplo, um dos estados líderes em produção de carne, abrigando um rebanho correspondente a 10% dos bovinos do país. Apesar do estigma, há fazendas sul mato-grossenses buscando melhorar suas práticas, com a aplicação de métodos para uma pecuária sustentável, o que significa mais floresta, animais silvestres protegidos e uma alimentação saudável.

Na contramão à tendência da expansão das pastagens sobre as áreas naturais, o WWF-Brasil tem ajudado, desde 2004, aliar a cultura pecuarista na região com uma produção responsável. Esse trabalho é feito em parceria com a Korin, a Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), a Embrapa-Pantanal e o Grupo de Trabalho de Pecuária Sustentável (GTPS), e já apresenta bons resultados, contribuindo assim para a conservação dos 86% do Pantanal ainda existentes.

Lançamento da Carne Orgânica do Pantanal

Essas organizações, responsáveis pelo desenvolvimento de uma cadeia sustentável de produção agropecuária, coroaram no último dia 14 de abril, um dos grandes resultados dessa parceria: o lançamento da “Carne Orgânica do Pantanal”. A apresentação da linha orgânica de carne bovina ocorreu durante um jantar, em Brasília-DF, em que cerca de 100 representantes de sociedade civil, produtores, empresários, chefs de cozinha e autoridades públicas puderam apreciar a carne, que já está nas gôndolas dos supermercados.

A Korin é responsável pela comercialização do produto, que chega aos principais pontos de varejo do país e é oriundo de gado criado solto na região do Pantanal, cuja alimentação está baseada em pastagens livres de agrotóxicos e adubos químicos no solo, ureia ou antibióticos utilizados na engorda de animais, e que prejudicam a saúde humana e o meio ambiente. Ou seja, a carne é proveniente de áreas naturais sob manejo sustentável, com boas práticas e atendimento a critérios ambientais e sociais claros.

Reginaldo MoriKawa, diretor superintendente da Korin, explica que as técnicas aplicadas são fundamentadas na melhoria na gestão de propriedades, no uso racional de insumos e recursos hídricos, no controle sanitário e nas ações de bem-estar animal. “A tarefa não é simples. Leva bastante tempo para se concretizar e os custos são altos, mas a recompensação vale a pena”, aposta ele.

Julio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal, defende que o Brasil está diante de um grande desafio, uma vez que a expectativa é de que até 2050, a demanda global da população por alimento aumentará 70% em relação ao ano 2000. “Diante desse cenário, é importante uma articulação conjunta, a fim de garantir a provisão de alimento de forma equilibrada, sem contudo comprometer os recursos naturais e a integridade de ecossistemas frágeis como o Pantanal. Neste sentido, a Pecuária Sustentável do Pantanal pode se destacar como uma alternativa para a conservação da maior área continental úmida do planeta, também conhecida como ‘reino das águas’, respeitando e convivendo em harmonia com o ‘ciclo das águas’, com a fauna e a flora.

O WWF-Brasil e os demais parceiros desse projeto têm certeza que o produto tem tudo para ser um sucesso, em que atende a uma lacuna no mercado daqueles que estão mais conscientes e preocupados com a qualidade dos alimentos e a preservação ambiental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *