Poluição do Tietê afeta meio ambiente de cidades ribeirinhas de São Paulo
Pedimos a nossos leitores para que, neste período eleitoral, enviassem denúncias pelo canal de participação das Eleições 2014, no Flickr. A primeira história contada foi a de Kenia Rodrigues, de Claro dos Poções, Minas Gerais, mostrando uma via que aguardava há mais de dois anos por sua pavimentação.
Aqui mostraremos os flagras feitos por Luciano Marra. O fotógrafo nos enviou imagens da poluição no Rio Tietê na altura de Pirapora do Bom Jesus, São Paulo. O nome indígena do município guarda as lembranças de uma época que a riqueza proveniente do rio era suficiente para o sustento da população.
No tupi, “pirá” significa “peixe” e “pora”, “pulo”. A região ganhou tal nome por conta do fluxo dos cardumes em tempos de desova. Os peixes procuravam as cabeceiras dos rios para deixar as ovas, indo contra a corrente aos saltos. Mas hoje, nem pulo, muito menos peixe.
A 61 quilômetros da capital paulista, Pirapora recebe as águas já poluídas de São Paulo. A situação é agravada pela presença da Barragem de Pirapora, criada para acumular água do rio para melhor servir a Hidrelétrica de Rasgão, um pouco abaixo da cidade.
Devido à queda d’água dos vertedores da barragem, a poluição – especialmente resíduos detergentes – se transforma em espuma. Em certas épocas, é possível notar grandes e alvos flocos navegando pelo rio.
Localizado no centro velho da cidade, a impossibilidade de navegação ou de pesca no rio não é o maior dos problemas. A atual reclamação é resultante do efeito ocasionado pela espuma. Órgãos locais creditam à poluição visual a diminuição do turismo na região.
No site da prefeitura de Pirapora do Bom Jesus, são lembrados os tempos áureos da navegação do Tietê, quando a cidade era conhecida como “a Veneza Brasileira”. No entanto, “hoje (o rio) se encontra poluído devido à ação inescrupulosa do homem ganancioso que não se preocupou com o meio ambiente. Mesmo assim ainda recebemos visitantes que vêm conhecer o rio Tietê com a finalidade de estudo e Educação Ambiental”, informa.
Sonho Meu
Em 1992, nos embalos ambientalistas do Rio 92, foi lançado o Projeto Tietê, que visava a despoluição total do mais importante rio do estado de São Paulo. A ideia era que a construção de estações de tratamento, o aumento na coleta de esgoto e a iniciativa privada das indústrias reavivasse o falecido rio – considerado morto desde os anos 50 – no início da década de 2000. Mais de 20 anos se passaram e a realidade segue inalterada.
Atualmente vivemos a 3ª etapa do projeto, que irá até 2015, com gasto estipulado em R$ 1,05 bilhão (de acordo com o site do projeto, já foram gastos R$ 1,6 bilhão no conjunto de obras – R$ 1,1 bilhão na fase 1 e R$ 500 milhões na fase 2). A terceira fase também aborda a região de Pirapora de Bom Jesus.
De acordo com a apresentação do projeto, as diversas obras do conjunto trariam uma “redução da carga orgânica lançada no Rio Tietê a montante da Barragem de Pirapora” o que, teoricamente, pelo menos diminuiria a poluição visual causada pela espuma nas águas.

