Pesquisadores alertam para risco de extinção de toninhas em SC

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De agosto de 2015 até o fim de 2017, 1186 toninhas, uma espécie de golfinho, foram encontradas mortas nas praias de Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Quase a metade desse total, 568 toninhas mortas, estava no Litoral catarinense. Elas foram retiradas da areia por pesquisadores, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Isso é o que nos preocupa justamente, que a rotina se torne tão rotina que ninguém mais se preocupe e a espécie possa simplesmente desaparecer”, disse o coordenador do Projeto Toninha Pedro Volkmer.

Muitas são encontradas com diversos ferimentos por todo corpo, causados por redes de pesca. “Em torno de 70% das toninhas que vêm tem algum sinal que pode ser relacionado a essa atividade”, disse o veterinário Eduardo Macagnan.

“A gente tem de fato alguns dados que já demonstram outros tipos de interação que são negativos, com parasitos, com interações diferenciadas com contaminantes, poluentes”, complementou Volkmer.

Toninhas estão ameaçadas de extinção (Foto: reprodução NSC TV)

Toninhas estão ameaçadas de extinção (Foto: reprodução NSC TV)

As toninhas nadam a pelo menos 30 metros da praia, exatamente onde os pescadores lançam as redes em busca de peixe.

“Houve três casos de animais mutilados, em que o pedúnculo caudal veio decepado, e um caso mais grave, onde veio com o pedúnculo decepado e o ventre aberto, claramente com a intenção de esconder o corpo do animal”, relatou Macagnan.

Sem fiscalização constante, os casos aumentam. “Se a gente tiver que criar mecanismos para conservação, seja para restrição de algumas áreas para proteção de outras. Isso vai vir com o conhecimento ainda maior sobre a espécie, onde ela se concentra, o que ela faz, que tipo de espécie ela consome”, detalhou Volkmer.

Pesquisadores trabalham para resgatar toninhas (Foto: reprodução NSC TV)

Pesquisadores trabalham para resgatar toninhas (Foto: reprodução NSC TV)

O que já se sabe é que das 568 toninhas mortas em Santa Catarina, 138 eram animais jovens, 63 eram filhotes e três eram fetos. Sem tempo para se reproduzir, a população desses golfinhos fica cada vez mais ameaçada.

“A extinção é real, pelo menos em algumas áreas ela pode se tornar uma realidade sim. Eu acho que se a gente não fizer nada ou não se mobilizar, esse processo se acelera cada vez mais”, afirmou Volkmer.

A NSC TV entrou em contato com o Ibama e o ICMBio para saber se existem projetos específicos para preservar a espécie ou pelo menos fiscalizar ações, mas não teve retorno.

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