Perfil ecossistêmico do Cerrado define prioridades de investimentos no bioma
Importância biológica, serviços ecossistêmicos, contexto socioeconômico, ameaças à biodiversidade, entre outros temas, são o foco do estudo sobre o Cerrado disponibilizado, no último dia 19 de abril, pelo conselho do CEPF (Critical Ecosystem Partnership Fund), em português Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos.
O documento intitulado de “Perfil ecossistêmico do Cerrado” foi elaborado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e pela Conservação Internacional (CI), a partir de consultas públicas realizadas ao longo de 2015 com mais de 170 representantes de 130 instituições do setor privado, governo, universidades, sociedade civil e populações tradicionais e indígenas. O WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, participou das oficinas, contribuindo com propostas práticas e viáveis com vistas a gerar um relatório fiel à realidade da diversidade biológica e social do bioma Cerrado.
Acesse o Perfil Ecossistêmico do Cerrado aqui:
O documento apresenta a lista de 1.629 espécies consideradas ameaçadas e servem como base para a definição das 761 Áreas-Chave de Biodiversidade (KBAs em inglês), ou seja, regiões prioritárias para contribuir para a manutenção de funções ecossistêmicas essenciais para a natureza e para a subsistência humana no Cerrado.
O Mosaico de Unidades de Conservação Sertão Veredas Peruaçu foi uma das quatro áreas selecionadas como prioritárias no Hotspot (região de extrema importância biológica e em alto risco de extinção), além do corredor ecológico Veadeiros-Pouso Alto Kalungas, Central de MATOPIBA e Mirador-Mesas. Estas regiões terão como alvo 62 KBAs prioritários de acordo com critérios de serviços biológicos, socioeconômicos e ambientais.
Kolbe Soares, analista de conservação do Programa Cerrado Pantanal, considera que “o documento traduz bem a realidade do bioma, uma vez que retrata as diversas ameaças a seu ecossistema, a importância da conservação em áreas estratégicas e a riqueza sociocultural existente”.
Outro aspecto avaliado positivamente por Soares é a metodologia adotada para elencar áreas prioritárias que necessitam de maiores investimentos. Segundo ele, “o método buscou assegurar a preservação do Cerrado, aliado ao desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais do bioma, o que é fundamental para a valorização e defesa do bioma”.
O estudo tem o objetivo de orientar o CEPF nos investimentos que serão aplicados no bioma nos próximos quatro anos, além de ser uma base para orientar outros possíveis investimentos na região.
Ao todo está previsto o montante de 8 milhões de dólares para investimentos no Cerrado, nos próximos quatro anos.
Sobre o CEPF
Criado em 2000, o CEPF atua em 23 hotspot – área prioritária para a conservação –, em 89 países. Ao todo o Fundo já investiu 175 milhões de dólares nessas regiões, beneficiando 1,9 mil entidades da sociedade civil.
No Brasil, o CEPF está presente desde 2002, mas inicialmente com foco no bioma Mata Atlântica. Até 2011 foram 300 projetos apoiados à ONGs, comunidades e pequenas empresas, que desenvolvem trabalho com espécies, áreas protegidas e comunidades. Atualmente reúne sete doadores internacionais.
