Paraíba pode se tornar polo gerador de energia renovável com usinas eólicas e solares

A Paraíba está tendo um despertar, por parte dos empreendedores, para as energias renováveis e pode se tornar um polo significativo de geração de energia elétrica. A afirmação foi feita pelo secretário executivo de Energia e do PAC, Robson Barbosa.

Segundo informou o secretário, o setor de geração de energia renovável, instalado e funcionando na Paraíba, produz 62,7 megawatts, a partir dos parque eólicos existentes no município de Mataraca, no Litoral Norte, que somados aos 3,2 megawatts gerados por uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) instalada em Coremas, no Sertão paraibano, totalizam 65,9 megawatts de energia elétrica gerada.

A Paraíba vai contabilizar, com as usinas eólicas e solares em construção, a geração de mais 234 megawatts, sendo 144 megawatts a serem gerados com a instalação de cinco usinas de energia solar e 90 megawatts por meio de três usinas de energia eólica. Os empreendimentos voltados para a energia solar estão sendo implantados nos municípios de Coremas e Malta. A usinas são Coremas I, II e III, cada uma com 30 megawatts, e Malta e Angico I, com 27 megawatts cada. Já as usinas de energia eólica, denominadas como Canoas e Lagoa I e II, as três com geração de 30 megawatts, estão sendo construídas nos municípios de São José do Sabugi e Santa Luzia.

Os projetos de energia eólica outorgados, na Paraíba, para as regiões de Santa Luzia e Teixeira e região do Seridó deverão ser responsáveis pela geração de 481 megawatts de potência total. Esses projetos autorizados pela Aneel poderão vir a ser habilitados em futuros leilões de venda de energia. Além disso, existem muitos empreendimentos em medição na Paraíba, em busca dos melhores ventos. “Atualmente, só na região do Seridó da Paraíba, existem mais de 50 projetos desenvolvendo campanha de medição de ventos para avaliação de recursos eólicos”, revelou o secretário Robson Barbosa.

Ele informou, com relação ao próximo leilão de energia, que a Empresa de Pesquisa Energética – EPE cadastrou 1.055 empreendimentos interessados em participar do Leilão A-5 2016, que vai contratar energia elétrica para ser entregue ao mercado a partir de 1º de janeiro de 2021. Ao todo foram 47.618 megawatts inscritos em projetos eólicos; termelétricas a gás natural, biomassa, biogás e carvão; hidrelétricas; e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). O leilão será realizado no dia 29 de abril de 2016. “Desse universo, 32 empreendimentos estão localizados no Estado da Paraíba, sendo  trinta e uma usinas eólicas, totalizando 868 megawatts, e uma usina térmica a gás natural, com potência de 1.268 megawatts. Estamos no caminho certo para enfrentar o desafio de aumentar a participação da Paraíba na geração de energias limpas e renováveis”, destacou.

Segundo observação do secretário Robson Barbosa, a Paraíba está começando a se tornar um polo de energia renovável e o papel do Governo do Estado, por meio da Secretaria Executiva de Energia e do PAC (SEPAC), é ajudar e fomentar os empreendimentos, apoiando os investidores e os desenvolvedores do segmento, porque eles podem contribuir não só para renovar as matrizes energéticas do Estado e do País, como um todo, mas também criar oportunidades de empregos, principalmente para mão-de-obra especializada. “O Governo do Estado quer exatamente fazer essa coordenação, vê no que pode ajudar, por entender que isso traz benefícios para a Paraíba, já que nos projetos para produção de energia em grande escala, como no caso da eólica,  as construções das usinas geram um significativo número de empregos, o pessoal ocupa hotéis, movimenta o comércio local e aumenta a arrecadação de ISS nos municípios envolvidos”, ressaltou.

A composição da matriz de energia elétrica do Brasil, por tipo de fonte de geração, segundo dados da Aneel, divulgados este mês, é composta por fonte hídrica, responsável por 64,8% da geração de energia, ou seja, 92.150,04 megawatts; térmica, responsável por gerar 39.506,53 megawatts, que corresponde a 27,8%; eólica, que produz 8.430,45 megawatts, um percentual de 5,9%; nuclear, uma fonte que gera 1.990 megawatts, correspondente a 1,4%; e a solar, que aparece com a geração de 22,92 megawatts, ou seja 0,02%, uma participação ainda pequena, mas com potencial para crescer.

Energias renováveis: Paraíba tem infraestrutura para atrair novos empreendimentos

Um dos pontos chaves para atração e implantação, com sucesso, de projetos para a geração de energia, seja solar, eólica, ou de qualquer outra fonte, é a infraestrutura de escoamento de energia, o que é feito por linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN). Outro ponto importante é a infraestrutura de estradas do Estado para acesso e transporte de equipamentos. Por último, mais agilidade na tramitação do licenciamento ambiental dos projetos, que na Paraíba é feito com menos burocracia, embora atendendo com rigor a todas as exigências da legislação ambiental, a exemplo das normas e resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e da própria Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), órgão responsável pela liberação.

Robson Barbosa observou que a Paraíba está preparada para atender às necessidades estruturais para instalações de novas usinas eólicas e solares. Segundo ele, a Paraíba é muito bem servida de estradas e tem uma boa capacidade de linhas de transmissão para escoar a energia gerada, a exemplo de Mussuré, Campina Grande e Coremas. “O que interessa ao empreendedor é a  garantia de uma infraestrutura de estradas para o transporte de equipamentos, principalmente na fase de construção das usinas. A Paraíba quer se tornar um polo de destaque no Nordeste, na geração de energia eólica e solar, e para isso o Estado, além de ter um bom potencial eólico e solar, oferece boa infraestrutura de estradas e apoio na agilidade do licenciamento ambiental”, complementou.

Ele revelou que, dentre as prioridades da pasta, destacam-se o diagnóstico e o mapeamento das potencialidades energéticas do estado, especialmente no que diz respeito às fontes renováveis de energia, a exemplo da solar, eólica e biomassa, com vistas a contribuir para o desenvolvimento energético da Paraíba, com base em uma matriz energética limpa e renovável. “A criação da nova secretaria executiva demonstra a intenção do governador Ricardo Coutinho em criar um setor específico, exatamente para dar atenção especial à área energética da Paraíba, com foco principalmente em energias renováveis, ou seja, em energias limpas”, pontuou.

O secretário destacou que, entre as ações do Governo do Estado para incentivar a ampliação do setor energético na Paraíba, está a capacitação de técnicos em empreendimentos energéticos, promovida pela Sudema, para formar mão-de-obra especializada. “A Sudema está desenvolvendo um programa de bolsistas, com engenheiros eletricistas, exatamente para auxiliar no entendimento aos empreendimentos energéticos. O órgão trabalha para ter uma estrutura mais profissionalizada e a coisa andar com mais facilidade, ou seja, se você vai fazer uma linha de transmissão, tem que licenciar; se você vai começar uma medição ou instalar uma torre eólica, tem que licenciar, e com uma equipe preparada os processam tramitam com mais rapidez”, explicou.

Ele acrescentou que outra iniciativa importante, no âmbito da própria Secretaria Executiva de Energia e do Programa de Aceleração do Crescimento (SEPAC), é o início de estudos para ver se é viável colocar a energia solar em alguns prédios públicos. Ele ainda revelou está estudando fazer o fomento do setor de uma forma sistematizada e que quer cadastrar quem já está desenvolvendo os projetos com energias renováveis na Paraíba.

Moradias populares são beneficiadas com sistemas de energia solar fotovotáica

Mais um empreendimento de habitação popular na Paraíba, um condomínio com 206 apartamentos, será construído, em João Pessoa, já dotado de um sistema de minigeração por energia solar fotovotáica. O projeto segue o “Manual Construção Consciente” lançado no ano passado pelo Governo do Estado e será o primeiro condomínio de apartamentos a receber a instalação de uma central geradora coletiva de energia elétrica, a partir de fontes renováveis de energia, como a solar.

Segundo o engenheiro eletricista da Cehap, Diego Perazzo, ao invés de instalar um sistema de microgeração de energia solar fotovoltaica para cada unidade habitacional, como foi feito experimentalmente em oito casas do Cidade Verde, em Mangabeira, na Capital, e também em 140 unidades habitacionais que estão sendo construídas no município de Sousa, no Sertão, agora vai ser implantado um sistema de geração compartilhada de energia, no condomínio de apartamentos que vai ser construído em frente ao Detran, em Mangabeira. Os gastos com a instalação do sistema coletivo é 40% menor do que seria gasto com sistemas individuais.

Diego Perazzo explicou que a energia gerada pelo sistema a ser instalado no condomínio será usada para abater o consumo de energia elétrica das unidades consumidoras. Quando a geração for maior que o consumo, o saldo positivo de energia poderá ser utilizado para abater o consumo na fatura do mês subsequente, segundo prevê a Resolução Normativa Aneel nº 482/2012. “É mais uma iniciativa pioneira do Governo do Estado. As múltiplas unidades consumidoras vão dividir igualmente os resultados da geração de energia e os descontos virão na conta de cada um morador do condomínio, já que a energia excedente será compensada pela concessionária, no caso a Energisa”, explicou.

Moradora reconhece eficiência e economia no uso da energia solar fotovoltaica

A eficiência do projeto de utilização da energia solar fotovoltaica, em casas populares construídas pela Cehap, pode ser aferida no sentimento de satisfação expressado pela moradora de uma das oito casas inseridas no projeto-piloto, Maria Paula Gomes Salustiano, 37 anos, residente há aproximadamente dois anos no Cidade Verde, Mangabeira VIII. A economia já vem sendo percebida de maneira muito forte pelos beneficiários do projeto, o que também os motiva a zelar pelo equipamento instalado em suas casas.

“Passamos uns três meses, assim que recebemos a casa, sem este benefício. Depois é que vieram e colocaram as placas da energia solar. Para mim foi uma bênção terem instalado essas placas, porque reduziram bastante a conta de energia. Antes delas, eu cheguei a pagar quase 80 reais pela energia e hoje em dia pago entre 32 e 35 reais, isso se eu consumir, se usar bastante”, justificou Maria Paula.

Ela disse que o sistema é todo automático e não precisa o usuário mexer em nada para o seu funcionamento. “Se der algum problema numa tomada, ou em qualquer parte da instalação elétrica da casa, o sistema dispara e desliga automaticamente. Quando algum equipamento apresenta defeito, comunicamos à Cehap e eles enviam uma equipe técnica para trocá-lo. Foi muito bom a instalação do sistema de energia solar na minha casa”, reconheceu.

Maria Paula assegurou que a maioria dos seus vizinhos, das oito casa beneficiadas pelo projeto, têm a mesma opinião que ela. “Do jeito como as coisas estão com essa crise econômica, em que tudo está muito caro, você poder reduzir os gastos na conta de energia, para mim é muito bom. Na minha casa moram quatro pessoas, eu, meu marido e dois filhos e todos estamos bastante satisfeitos com esse benefício”, ressaltou.

Os painéis fotovoltaicos geram a energia durante o dia e o que não é consumido vai para a rede de energia elétrica. Ao final do mês, o morador recebe um relatório mensal da concessionária, semelhante à conta de luz, pelo qual é informado sobre o balanço do mês. A economia mensal alcança de 20% a 70%, a depender das condições do tempo serem favoráveis ou não à geração de energia e do consumo dos usuários.

Todo mês, Maria Paula recebe junto com a conta de energia elétrica, o relatório da operadora do sistema, com o controle e acompanhamento dos valores utilizados para compensação da energia gerada. Num desses relatórios, o cálculo de consumo apresentou, em 31 dias, 72 kwh de energia consumida e 30 kwh de energia gerada, também consumida, totalizando 102 kwh. A energia consumida da operadora contabilizou um subtotal consumido de R$ 45,77, mais R$ 1,46 de lançamentos e serviços.

A energia gerada pelos painéis fotovotáicos, também consumida, foi contabilizada na compensação, sendo somada aos saldos e gerando um subtotal gerado de menos R$ 13,02. Ao se confrontar os dados no sistema de compensação, o total a pagar importou em R$ 34,21, ou seja, uma economia de 27,57%. Se a energia gerada exceder ao consumo da casa, o total de kwh excedente vai para um banco de saldo para posterior compensação.

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