Pantanal: bioma é considerado como a maior planície inundável do mundo
O Pantanal é a maior planície inundável do mundo, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera. Localizado na bacia do Alto Paraguai, entre Brasil (nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Bolívia e Paraguai, funciona como elo de ligação entre Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Chaco e Bosque Seco Chiquitano.
Essas características criam um ambiente com uma biodiversidade extremamente rica. Só para se ter uma ideia, segundo a ONG SOS Pantanal, o bioma possui pelo menos 3.500 espécies de plantas, 550 de aves, 124 de mamíferos, 80 de répteis, 60 de anfíbios e 260 espécies de peixes de água doce. O Pantanal é a casa da arara-azul, das piúvas, do tamanduá-bandeira, dos caraguatás, da onça-pintada e de muitas outras espécies.
Onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das Américas e a grande estrela dos safáris fotográficos do Pantanal- Foto: Fábio Paschoal
Outra peculiaridade do Pantanal é a distribuição das terras. 95% de seu território se encontra em propriedades privadas dedicadas à pecuária. Mesmo assim, aproximadamente 85% do bioma continua preservado. Isso pode parecer contraditório, mas os campos abertos por aqui são obras da natureza e não do homem. Não é preciso desmatar para iniciar a criação de gado e as águas que inundam a planície durante meses dificultam o desenvolvimento da agricultura.
O regime das águas também impede o estabelecimento de árvores em áreas alagadas no período da cheia. As florestas ficam restritas às partes mais altas. Quando são pequenas e circulares são chamadas de capões, quando são estreitas e compridas são chamadas florestas de cordilheira. Independente do formato, fornecem abrigo para animais e plantas.
Os lagos, aqui chamados de baías, compõem o cenário perfeito. Quando a água está parada e o vento para de soprar, fica difícil dizer onde a terra acaba e o céu começa. O povo é muito contido, mas não deixa de te convidar para uma roda de tereré (o chá mate servido na guampa, um copo feito com o corno do boi) mesmo que nunca tenham trocado uma palavra com você anteriormente.
É claro que existem problemas. O desenvolvimento econômico no Pantanal, baseado na pecuária extensiva e agricultura, geram queimadas, desmatamento, assoreamento e poluição dos rios. A mineração e siderurgia estão se instalando na região e representam mais um problema para o ecossistema.
Porém, a principal ameaça vem de fora, de áreas mais elevadas. As alterações nas florestas nativas (como Cerrado e Chaco) causam a aceleração do processo de assoreamento em praticamente todos os principais rios da região. Isso pode alterar o clico das águas, essencial para a manutenção do bioma.
Esse é o Pantanal que estou prestes a explorar. Vamos nessa! [Não perca o capítulo 2 de série Pantanal: Terra das Águas na próxima quinta-feira (22)].






