Oito alimentos que têm fama de emagrecedores — mas não são
Goji berry, spirulina e óleo de coco são alguns dos produtos vendidos com a promessa de ajudar a perder peso. Médicos e nutricionistas duvidam
O organismo humano precisa de proteína, carboidrato e gordura para desempenhar suas funções metabólicas básicas. “Deixar de ingerir esses nutrientes essenciais e basear a dieta em um alimento supostamente milagroso é uma ameaça à saúde”, afirma o nutrólogo Andrea Bottoni, coordenador da equipe de nutrologia do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco. Além disso, depositar muita confiança em um único produto causa um prejuízo psicológico ao paciente. Se a pessoa não emagrecer, pode perder a motivação para encarar um regime que faça efeito de verdade.
É claro que cortar drasticamente a ingestão de calorias e eleger um alimento como base da alimentação, qualquer que seja ele, levará ao emagrecimento. Perder peso demais em pouco tempo, porém, não é um processo considerado saudável. O organismo se acostuma a funcionar com pouca energia e entra em um estado parecido com a anorexia, em que tende a armazenar gordura. “A consequência é o efeito sanfona. Depois de emagrecer, a pessoa volta a engordar rapidamente”, diz Claudia Cozer, endocrinologista e coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
De acordo com Andrea Bottoni, alguns produtos com fama de emagrecedores podem até fazer bem à saúde, a exemplo da linhaça, que é rica em fibras e melhora o funcionamento do intestino. “Mas eles devem ser encarados como coadjuvantes da dieta, jamais como protagonistas.”
O que funciona – A fórmula eficaz para emagrecer inclui praticar atividade física regularmente, dormir oito horas por dia e seguir uma dieta equilibrada. Além disso, fracionar as refeições em cinco ou seis por dia, comer pequenas quantidades e evitar produtos industrializados são passos mais importantes do que consumir os alimentos com fama de milagrosos.
Alimentos que emagrecem. Só que não
Goji berry

Café verde

Óleo de coco

Quitosana
A quitosana é uma fibra natural derivada da quitina, composto que forma o exoesqueleto de crustáceos, como o camarão. Ela é vendida em cápsulas com a promessa de prolongar a saciedade, pelo seu alto teor de fibras (uma cápsula tem cerca de 1 grama de fibra), e de absorver e eliminar gordura. “É bobagem consumir quitosana. Comer gelatina antes de uma refeição promoveria a mesma sensação de saciedade. Além disso, o efeito do produto é sutil e imperceptível para várias pessoas”, diz Claudia Cozer.
Spirulina

Essa bactéria com aparência de alga é 60% composta de proteína. Ela é vendida em cápsulas com a promessa de elevar o efeito de saciedade, porque, ao ser ingerida, absorve água e aumenta de volume no estômago. “O efeito não é intenso a ponto de ajudar a emagrecer”, diz Andrea Bottoni, nutrólogo e coordenador da equipe de nutrologia do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco. Além disso, essa propriedade não é exclusiva da spirulina — alimentos ricos em fibras fazem a mesma coisa.
Itokonnyaku (bifum)

Cúrcuma
Também conhecida como açafrão da terra, essa planta tem propriedades antioxidantes, por causa da presença do corante curcumina, e anti-inflamatórias, que ainda estão em estudo. “Mas essas propriedades não têm nenhuma relação com o emagrecimento”, diz Camila Gracia, nutricionista do HCor – Hospital do Coração, em São Paulo.
Linhaça

A semente do linho, planta da família das lineáceas, é rica em fibras. Por essa característica, a linhaça ajuda no bom funcionamento do intestino. “Estudos demonstram que a linhaça tem ação antioxidante e auxilia no controle do colesterol e da glicose, não que emagrece”, explica Verônica Lima, nutricionista do Hospital Norte D’Or, no Rio de Janeiro.
