Vida dos catadores de lixões do RJ se transformou após a extinção dos aterros a céu aberto
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, determina que os aterros a céu aberto não podem mais existir no Brasil. Desde 2 de agosto de 2014, os municípios ficaram obrigados a executar diversas ações ambientalmente responsáveis, como a reciclagem, o reúso, a compostagem, o tratamento e a coleta seletiva dos materiais descartados. O não cumprimento da lei pode acarretar multas de até R$ 50 milhões. Não foram só os lixões os afetados, os catadores também tiveram de se enquadrar na nova realidade.
No Rio de Janeiro, o lixão de Gericinó, em Bangu, é o último ícone daquele modelo de despejo que a lei hoje procura deixar para trás. Embora oficialmente já esteja desativado, seu nome continua a designar um território concreto e simbólico de grande peso para a cidade e para as famílias que tiravam de lá o seu sustento. Dos 246 catadores que foram cadastrados durante o processo de adequação do vazadouro, hoje apenas 85 permanecem vinculados ao novo projeto. Todos eles, mesmo os que não ficaram, receberam uma indenização de R$ 14 mil. Após cursos de qualificação organizados pela Comlurb e a prefeitura, eles se integraram em seis cooperativas.
A temática dos lixões ganhou destaque no cinema com Vik Muniz, autor de uma obra que revalorizou aquilo que até então era descartado sem contemplação: objetos, mas também pessoas. O fotógrafo alemão Micha Ende, radicado no Brasil desde 1985, passou oito meses em Gericinó (de setembro de 2013 até a extinção oficial, em 4 de abril de 2014) para retratar os “caçadores de tesouros”. “Não queria reproduzir o estereótipo depressivo nem estilizar a miséria, mas sim mostrar as pessoas, íntegras”, disse ele a GALILEU. O registro faz parte de seu projeto Vizinhos distantes, que abrange aspectos socioculturais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os Brics. Do capítulo “Luz no lixo”, que já rendeu exposições no Rio, Chongqing (China) e Munique, são as imagens e histórias a seguir.