Moradores de Parnamirim cultivam mudas a partir do lixo
O produtor rural Bruno Lopes, 32 anos, morador do Tejucupapo, conta que a ação teve início há dois anos. A reutilização do material começa dentro dos apartamentos. Cada família faz a separação do próprio lixo. Foram orientados sobre quais resíduos orgânicos podem ir para composteira e os que não podem. Carne, limão, temperos fortes, óleo e líquidos não devem ser separados para o reúso. Bruno e o porteiro Brivaldo José são os responsáveis pela sementeira. Plantam mudas e levam para espaços públicos do Recife. Eles não revelam os locais, como margens de rios, parques e praças, para evitar que as mudas sejam arrancadas.
As mudas criadas no prédio servem ainda como compensação ambiental do bloco carnavalesco Sai dessa nóia, que desfila nas ruas de Casa Forte desde 2012. “A gente limpa as ruas depois do bloco, mas sentimos a necessidade de compensar plantando mudas. No carnaval deste ano, plantamos 11 espécies. Pedimos um plano de replantio à Prefeitura do Recife e fizemos essa retribuição pelo uso do solo voluntariamente, já que não é uma obrigação imposta aos blocos”, afirmou Bruno.
Só este ano, os moradores já plantaram 11 espécies. Foto: Camila
Pifano/Esp. DP
REUTILIZAÇÃO
O reúso de resíduos é uma medida consolidada em diversos países e regiões do mundo como a Califórnia, nos Estados Unidos, onde cerca de 80% de todo o resíduo orgânico é valorizado. A ação conta com o apoio do poder público, que incentiva o tratamento descentralizado dos resíduos, já que essa é uma solução mais econômica e evita a necessidade de transportar milhares de toneladas de resíduos diariamente. Além de diminuir a sobrecarga nos aterros sanitários, a atitude reduz a emissão de gases de efeito estufa e estimula a consciência ambiental.
