Mandioca: alimento típico do Brasil apresenta muitas vantagens nutricionais
Alimento típico do Brasil, a mandioca é um importante constituinte da alimentação de muitas pessoas, principalmente das que vivem em regiões rurais, além de fazer parte do folclore de nosso país. A lenda conta que a mandioca tem origem na morte precoce de Mani, neta de Tuxaua (líder da tribo), que foi enterrada na oca em que morava. Após passar o tempo, uma planta nasceu no lugar onde o corpo fora enterrado, certa vez a terra se abriu aos pés da planta e os índios visualizaram uma raiz branca e deram o nome de Manioca (casa de Mani); à planta, deram o nome de Maniva.
No Brasil, a mandioca possui uma estreita relação com a formação socioeconômica do país, estando presente em vários momentos de nossa historia – é considerada uma ”herança indígena” em todo o território brasileiro. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil é o segundo maior produtor de mandioca do mundo, sendo responsável por 12,7% do total da produção mundial, e a safra brasileira correspondente ao ano de 2012 foi de 21,2 milhões de toneladas, segundo dados do Departamento de Economia Rural.
Tipos
Os cultivares da mandioca podem ser divididos em dois grupos. O primeiro é o mais popular, que tem diversas denominações: mandioca doce, mandioca de mesa, aipim, macaxeira e mandioca mansa – esse tipo de mandioca é utilizado para consumo fresco humano ou animal. O segundo grupo é denominado de mandioca amarga ou brava (imprópria para consumo fresco), geralmente utilizada na indústria de alimentos para produção de farinha ou fécula, por exemplo.
A grande diferença entre os dois grupos é a concentração de ácido cianídrico presente na raiz, sendo que, no primeiro grupo, a concentração é inferior a 100 partes por milhão (ppm) ou 100 mg de ácido cianídrico por quilograma de raiz. O ácido cianídrico é um composto tóxico para os seres, e estima-se que a dose letal de ácido cianídrico oscile entre 50 a 60 mg/Kg de peso, dessa forma, o processamento da mandioca do segundo grupo é imprescindível para evitar-se a ocorrência de intoxicação alimentar. Um caso de intoxicação pelo consumo da mandioca brava ocorreu na cidade de Limeira, em São Paulo, no ano de 2003, levando um paciente a óbito. O diagnóstico ocorreu após a internação de mais dois pacientes que relataram o consumo de mandioca com gosto amargo.
Produtos e fonte de renda
Os principais produtos do aipim (mandioca mansa) são os minimamente processados: ou seja, mandiocas que são vendidas na feira descascadas; ou os processados, como mandioca pré-cozida congelada, sem contar os “chips” feitos com o alimento. Já os produtos derivados da mandioca brava são a farinha seca, farinha d’água, fécula ou polvilho doce e polvilho azedo – o processamento da mandioca ocorre em fecularias, sendo o principal produto a fécula ou amido da mandioca, servindo de matéria-prima para as indústrias de papel, têxtil e alimentícia, e também como lubrificante nas indústria de petróleo. Atualmente, a fécula da mandioca vem ganhando espaço na industria de embalagens como matéria-prima de embalagens biodegradáveis, representando um grande avanço para a questão dos resíduos sólidos que são despejados no meio ambiente.
O cultivo da mandioca, e seu beneficiamento, representam a principal fonte de renda de varias regiões brasileiras, sendo que as pequenas agroindústrias que beneficiam a mandioca desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento do país. Segundo a Associação Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), as casas de farinha, locais onde se beneficia a mandioca, garantem emprego e renda para produtores, familiares e demais agentes envolvidos, movimentando a economia das localidades onde estão inseridas. Esta atividade, além de ser utilizada para a subsistência, apresenta-se como uma opção promissora de agronegócio, pois a mandioca beneficiada pode gerar vários produtos de alto valor agregado, tanto para a utilização humana quanto para alimentação animal.
Alternativa para quem não come glúten
A mandioca é uma planta da família Eufhobiacea, que produz raízes com alto teor de amido e também é fonte de fibras e carotenoides. É o principal substituto alimentar de pessoas celíacas, pois não apresenta em sua constituição o glúten. Porém, as folhas da mandioca também podem exercer um grande papel na nutrição humana, uma vez que são fonte de proteínas, mas sua digestibilidade é baixa. Pesquisas realizadas indicam que os teores de proteínas nas folhas de mandioca variam entre 20,77 g e 35,9 g/100 g de massa seca, sendo comparado ao teor de proteína presente em hortaliças, como a couve (30,84 g/100g de massa seca). Além de ser fonte proteica, as folhas da mandioca também apresentam teor considerável de minerais, como zinco, ferro, manganês e magnésio, de vitamina C e de betacaroteno. Entretanto, as folhas da mandioca também apresentam altos teor de ácido cianídrico, sendo necessária a cocção, maceração ou desidratação das folhas antes de seu consumo.
Muito utilizada na culinária brasileira, a mandioca é o principal ingrediente de bolos, tapioca, escondidinho, e pode substituir a batata na preparação de massas; no caso do polvilho, é o ingrediente base de produtos como o pão de queijo e biscoito de polvilho. Opções para saborear a “rainha do Brasil” não faltam, inove seus hábitos alimentares utilizando a mandioca em suas preparações culinárias diárias, e dê preferência aos produtos in natura ou minimamente processados.
