Para incentivar a separação, projeto distribui sacos plásticos aos galpões (Foto: César Moraes/Divulgação)Copos plásticos, latas de cerveja e de refrigerante, caixas de papelão, e garrafas pet de água estão entre os materiais mais usados e jogados nos lixos dos cerca de 365 galpões do Acampamento Farroupilha de Porto Alegre.
Para evitar que todo este resíduo, com potencial para ser reciclado, vá para aterros sanitários junto com o lixo orgânico, um grupo de voluntários atua nos dias do evento. A luta, conforme a coordenadora do projeto chamado Harmonia Consciente, Alba Ferreira da Rosa, é para mudar a cabeça da gauchada acampada.
“Desde 2010 estamos dentro do acampamento com o intuito de conscientizar os acampados. É um evento que reúne um volume imenso de pessoas e isso gera muito resíduo. O nosso objetivo é centrado na importância de segregar o orgânico e o reciclável para que possamos encaminhar o material à associação dos catadores”, comenta Alba ao G1.
A iniciativa da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental seção Rio Grande do Sul (Abes-RS) tem a parceira do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Estudantes de cursos técnicos e de graduação são voluntários e, ao lado de Alba, orientam os patrões dos galpões e acompanham a passagem diária do caminhão da coleta seletiva pelo Parque Maurício Sirostky Sobrinho (Harmonia). Os resíduos coletados são distribuídos em 19 cooperativas da capital.
O trabalho da Abes-RS começa antes mesmo da abertura oficial do evento. Enquanto os galpões fazem os últimos ajustes, a equipe de voluntários distribui sacos plásticos e adesivos para identificar as lixeiras. Nesta última semana de Acampamento Farroupilha, o objetivo é avaliar o envolvimento dos galpões para identificar os cinco melhores que receberão o prêmio “Destaque em Cuidados com os Resíduos Sólidos” nesta sexta-feira (18), às 18h.
Independente do resultado, o galpão dos Tropeiros da Justiça está fazendo bonito. O patrão Luis Guerrero Gracia aderiu pela primeira vez à separação do material seco e orgânico. “Neste ano fomos buscar mais informações de como proceder e estamos separando. É também uma forma de ajudar as pessoas que trabalham com reciclagem”, diz Gracia.
Mas ele foi além da separação dos resíduos. Criou uma divisão também no lixo orgânico. Os restos de carne ficam distantes das sobras de verduras e cascas de batatas e mandioca, pois elas são usadas como adubo no minhocário que ele mantém em casa. Para os fumantes, o patrão criou bituqueiras na área externa do galpão. “Pessoal tem aderido, porque todo dia preciso limpar as bitucas”, comenta, orgulhoso da iniciativa.
No Tropeiros da Justiça há separação do lixo seco e bituqueira (Foto: Arquivo Pessoal)Miniunidade de triagem está no Acampamento
Os visitantes do Acampamento Farroupilha podem conhecer o trabalho dos catadores diretamente com os profissionais. Uma miniunidade de triagem itinerante foi instalada em um estande próximo ao Centro de Eventos do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, com funcionamento das 10h às 17h.
Nela, os catadores demonstram como é feita a separação de resíduos recicláveis após a coleta seletiva. A ideia é que o público enxergue que os produtos que descartados no lixo, como plástico, papel, vidro e metal, podem gerar renda para as cooperativas de reciclagem.
O projeto de educação ambiental é chamado de Estação ReciclaPOA e faz parte do programa de inclusão produtiva na reciclagem Todos Somos Porto Alegre, parceria da prefeitura com a Braskem e a Triunfo Concepa.
Miniunidade de triagem instalada no parque (Foto: Ivo Gonçalves/PMPA)